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sexta-feira, 24 de maio de 2013

A Sátira pela Sátira



O grande escritor satírico – que nem de perto eu sou! –, ao denunciar as injustiças, acusar os culpados e rir das hipocrisias, tem a pretensão de poder mudar o mundo.
Todo escritor satírico se alimenta das injustiças, dos absurdos, das hipocrisias, denunciando-os por meio da hipérbole, do humor e, até mesmo, do absurdo. E o coração do escritor satírico está cheio de justiça. De justiça e de raiva, claro. Por que ele sairia por aí escrevendo contra outros, contra comportamentos, se não estivesse cheio de fel no coração, tão cheio que chega a vazar para outras tripas? E a ilusão de que a sátira, por mostrar comportamentos tão abusivamente hipócritas, por elevar ao máximo algumas das ideias mais estupidamente estapafúrdias, possa despertar nos opressores remorso e nos oprimidos revolta, para que a mudança, em algum momento, seja factível. Sim, o autor satírico, mesmo aquele que já está além da esperança, ainda nutre uma faísca de ilusão, de miragem, de logro que sua verve, sua retórica, suas imagens possam comover os imbecis e antas de que o mundo poderia ser outro, que o mundo poderia ser flores para todos os lados, que o mundo poderia ser paz e amor, todo mundo cantando, de braços dados, de sorriso aberto...
Mas não! Não será!

domingo, 9 de setembro de 2012

O blog está morto

O blog está morto.
Não há dúvidas quanto a isso.
O tempo passa, nos ignora. Os compromissos nos atropelam e ficamos atordoados perto do meio fio. E um belo dia a distinta Sra. Morte vem nos visitar.
Não devemos demonstrar surpresa. Não devemos perguntar: mas já? Devemos manter a frieza. Devemos convidá-la a entrar, a se sentar. Pode não parecer mas ela fica muito satisfeita com essas distinções.
(Deve-se evitar o máximo o instituto naturalíssimo de se sair correndo dali em desespero. Deve-se lutar.)
Ou melhor, deve-se jogar.
Convidemo-la para um jogo. Um jogo de xadrez (sim, sim O sétimo selo).
A dona Morte faz a sua jogada. E nós fazemos a nossa.
"Vocês, humanos, são engraçados", ela me diz. "Passam a vida sonhando, esperando que seus sonhos simplesmente aconteçam. Mas sou eu quem chego e vocês se desesperam".
Nesse momento, ela se aproxima de mim e diz: "Eu sei que você está desesperado. Não tente negar. Você é um bom jogador, porém. Teria mais chances se fosse poker..."
Como poderia eu blefar com a Morte?
"E você..." Eu sabia o que ela ia dizer. Eu a interrompi.
"Desculpe, senhora. Mas eu tenho outra adversária a vencer".
A Morte me olhou atônita.
"A Vida. Eu tenho que vencer a vida".
"Ah", me disse a Morte. "Neste caso, eu espero, meu querido. A Vida é muito mais cruel", e ela riu.
"Devo dizer que adorei sua atuação em As intermitências da morte, do Saramago", disse para puxar o saco.
Ela riu.
"O pessoal gostou mais quando eu incorporei no Brad Pitt, naquele filme idiota". E ela se foi.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Sátira e Moral

Uma frase de Otto Maria Carpeaux:

Grande sátira não é possível sem rigorosos critérios morais; o satírico é satírico porque os seus critérios morais são mais rigorosos do que os do seu ambiente.

Essa frase se refere a Jonathan Swift e está na monumental História da Literatura Ocidental (vol. 4, página 874, 2ª edição).

Trata especificamente da moralidade do satírico que é mais forte do que a de sua época.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Humanidade: exercício de futilidades…

A humanidade é o ápice da criação, certo? Somos os seres mais evoluídos de que temos conhecimento e Deus nos fez à sua imagem e semelhança, não é mesmo?

Bem, vai lá estudar um pouco o comportamento humano. E também história, caro leitor.

Claro, claro, não estou acusando você, leitor, de ser um arrematado canalha. Lembra-se de Hamlet? Somos todos arrematados canalhas? Ah, não leu Hamlet? Viu o filme do Mel Gibson? Tudo bem…

domingo, 28 de agosto de 2011

Sobre escrever e… blogar

Pode parecer um paradoxo – e é! – mas estou dividido entre escrever e blogar.
Constituí este blog com o intuito de tratar temas e assuntos contemporâneos e eternos por meio de uma viés satírico. Além disso, seguindo uma linha mais filosófica (se assim podemos defini-la), tentei esboçar algumas propostas modestas nos moldes das propostas de Jonathan Swift. Essas propostas visam resolver alguns problemas da humanidade com algum meio absurdo – por exemplo, Swift propôs terminar com a pobreza na Irlanda por meio do comércio de recém-nascidos para consumo dos ricos. Isso mesmo. Legal, né, leitor?

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Autopromoção! O avarento se diverte no CCBB

Menti. Disse que não ia fazer mais autopromoção e estou fazendo autopromoção.
Dia 20/08/2011, no sábado, às 18:00, haverá a leitura dramatizada de minha peça O avarento se diverte, no Centro Cultural Banco do Brasil.
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É gratuito, sendo que a distribuição de senhas começa às 17:00.
Mais informações: aqui, aqui e ali.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Post sobre os posts de Santas Sátiras

Os posts aqui seguirão algumas regras:

1) Não terão imagens. Cansei de procurar e de enfeitar. É o texto e pronto. Se quer ver figurinhas, vai procurar no Google Imagens;

2) Vão ser extremamente longos, com exceção deste e de outros que serão extremamente curtos. Sou um cara de extremos. (E também quero subverter essa ideia de que na internet só pode haver textos mínimos, pequenos e miúdos para atrair um público maior etc. e tal. Ou lê um discurso encadeado ou vá ver vídeos no youtube!);

3) Ou vão ser hilariantemente sérios ou duramente satíricos;

4) Vão tratar de tudo e de nada. Ao mesmo tempo;

5) Vão atacar o ser humano e todas as suas pretensões;

6) Apresentarão propostas absurdas, como veremos e como já vimos (aqui);

7) Não vão seguir regras nenhumas, muito menos essas.

Pronto.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Invasão de hackers não afeta Santas Sátiras

Como esse blog é muitíssimo visitado (cerca de 3 visitas por semana, aí incluídas a de seu criador e autor…), como ele é mundialmente conhecido (foi visitado em dezembro de 2008 por um brasileiro perdido na Noruega…), como é debatido na imprensa mundial (foi publicado um artigo no jornal do bairro, de autoria deste nobre escriba), como ele cegamente defende nossos representantes (desnecessário dizer…), os hackers tentaram invadir o nosso servidor e escrever algumas mensagens terroristas.

Eu, como um blogueiro altamente instruído, ainda os sacaneei e afirmei que eles nunca conseguiriam tomar de mim a minha amada senha, que, por acaso, era (e ainda é…) 123456…

Eles riram, me agradeceram e tomaram meu blog!

Por favor, senhores hackers, aqui está meu pedido. Devolvam meu blog! Não me deixem sem ele!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Diálogo entre um otimista e um pessimista

Otimista – Você viu, meu caro, que o STF aprovou a união estável entre pessoas do mesmo sexo. É um grande passo para o Brasil. Para acabar com o preconceito.
Pessimista – Pode ser, mas eu acho que não.
O – Por que não, meu amigo? Agora casais homossexuais têm os mesmos direitos de casais hetero…
P – Tudo bem. É um avanço, mas acho que o preconceito não vai acabar não. Talvez até aumente.
O – Meu caro amigo, creio que você tenha uma visão muito pessimista da vida...
P - Se você tá dizendo...
O – Eu acho que o preconceito vai acabar sim. Por exemplo, o Congresso vai votar a lei contra a Homofobia.
P – No congresso? Bem, lá essa lei não passa. Já viu como tem uma bancada extremamente retrógrada.
O – Então que eles façam uma consulta popular…

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Autossatirização: nova forma de promoção deste blog

Em meu último post, ensaiei uma modalidade de autopromoção. Linkei vários posts desse meu humilde blog e um de outro blog, para, ao mesmo tempo, recuperar alguns textos antigos e me promover na blogosfera.
Mas, diante de minha ignorância, percebi que esta nova tentativa de promover este humilde blog mais uma vez fracassou, para deixar bem claro minha desilusão.
Pois, tantos blogs há na blogosfera quanto estrelas no céu, para ficarmos com uma muito surrada imagem. E, com o desafio 7 links, mesmo desejando, se eu fosse ler todos os links de todos os blogs que participaram do desafio (e eu li vários; alguns, interessantes; outros, nem tanto…), mas se eu fosse ler realmente todos, deveria abolir todas as outras preocupações e afazeres de minha vida, para tão-somente ler os links do desafio. Não me sobraria tempo para mais nada.
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