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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Reforma Política Revisitada ou Laranja Mecânica para os Nossos Nobres e Honrados Políticos

Podemos observar certo marasmo em torno da questão da gloriosa Reforma Política. Depois de tantos casos de corrupção, creio que seria a reforma a ser implementada. No entanto, os políticos parecem discordar de mim. Ou melhor, todos concordam com uma reforma política, mas qual reforma ainda é um caso a se discutir, não é mesmo? Vocês mesmos podem ver que tratei bastante desse assunto em meu arquivo de textos (sobretudo aqui, aqui e, ufa!, aqui). Algumas propostas ainda não foram devidamente testadas, como o Big Brother de Políticos, mas eu, depois de muito deliberar comigo mesmo no silêncio da noite e na solidão da loucura, cheguei à triste conclusão de que, mesmo com toda a vigilância possível e impossível, mesmo se instalássemos um microchip no cérebro do homem político para registrar todas as suas ações e pensamentos, ainda assim poderíamos ser ludibriados pelo nosso ilustríssimo representante. Justo dizer que os nossos políticos mostraram-se em todas essas décadas de renovada democracia grandíssima habilidade na arte de furtar e de enganar.

Dessa forma, precisamos de uma reforma mais radical. Precisamos entrar na psique mesmo do político e inibir, de dentro para fora, a corrupção.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Marcha em Prol da Corrupção

O Deputado Tomás Armando Mutretas está de volta e com outra polêmica proposta. Tendo em vista os recentes ataques a seu corrupto portfólio, o venerável deputado quer fazer uma Marcha em Prol da Corrupção.

“Vocês vejam bem”, argumenta o deputado, “que a corrupção é o estado natural do homem. Ele não foi expulso do paraíso? Ele não comeu a Eva… digo, o fruto proibido? Pois então! Temos que deixar de ser hipócritas e assumir de vez o nosso lado corrupto! O progresso e a ordem vão agradecer!”

domingo, 19 de junho de 2011

Partido dos Sem-Vergonha fracassa! Tomás Armando Mutretas se exime de culpa…

Realmente o Partido dos Sem-Vergonha foi um fracasso total. Depois de defender a ideia de que os políticos deveriam assumir publicamente e sem maiores pudores sua sem-vergonhice e de que isso seria uma nova forma de se relacionar com os eleitores, Tomás Armando Mutretas denunciou os antigos colegas de partido de serem sem-vergonhas enrustidos, o que, obviamente, causou grande celeuma.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Partido dos Sem-Vergonha

Tomás Armando Mutretas retorna aqui para declarar a inauguração do novo partido político brasileiro. O partido dos Sem-Vergonha. Com a palavra sua excelência, Tomás Armando Mutretas:

“Meus caros colegas, venho hoje aqui com muita alegria convocar todos os nobres cidadãos e cidadãs do Brasil para a criação do que será e do que já é o maior e melhor partido do Brasil, o Partido dos Sem-Vergonha!

“Sim, nós, sem-vergonhas, não ficamos propriamente dentro dos armários, como nossos colegas homossexuais, mas ficamos muito tempo na escuridão, na moita e na artimanha. Usávamos de subterfúgios vis para esconder nossa condição de mau-caráter. Quando alguém nos acusava em plenário que éramos uns sem-vergonha, ficávamos indignados (ou fingíamos indignação, melhor dizendo), entrávamos com processos de calúnia e difamação, para que nosso eleitorado continuasse votando em nós. Mesmo que nossa sem-vergonhice chegasse a extremos como, por exemplo, quando possuímos não só amantes fora de casa, mas verdadeiros haréns, ou quando usávamos o dito dinheiro público para os nossos privadíssimos interesses, nós tínhamos, é verdade, a cara dura de afirmar, pela nossa mãe mortinha, que éramos inocentes. Os menos hipócritas afirmavam apenas que todo mundo é inocente até que se prove o contrário…

sábado, 28 de maio de 2011

Carro de luxo para os nossos representantes é pouco…

8763206-old-rusty-car-next-to-a-poor-house-vladivostok-russiaCarros de luxo para nossos representantes? Que absurdo, não? Um ultraje, um desastre, um descaso, uma desumanidade!

Uma desumanidade contra nossos representantes!

Concorda comigo, leitor? (Pois se não concorda, discorde nos comentários!)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Quem é que tem moral?

O político Tomás Armando Mutretas, que já tinha dado sua contribuição sobre o tema de Ficha Limpa x Ficha Suja aqui, voltou com esse discurso único. Ele, diante das diversas acusações contra políticos de seu partido, Partido Governista a Qualquer Custo, ou PGQC, ou simplesmente Partidão de Todos Que Querem Se Dar Bem, o PTQQSDB, políticos esses que participaram de esquemas de pagamento de mesadas, o Mesadão, e outras irregularidades e que agora, depois de um tempo afastados, estão de volta ao partido.

Vamos ao discurso do excelentíssimo deputado Tomás Armando.

Senhor Presidente, senhores deputados e senhoras deputadas, venho aqui hoje para expressar a minha mais ultrajada e indignada estupefação diante das acusações contra meus nobres e estimados colegas de partido. A imprensa, sempre contra nós, pobres políticos, a imprensa, essa máfia de inescrupulosos  jornalistas, a imprensa, que sempre me atacou e nos atacou, mas me atacou de forma pessoal e totalmente injustificada, afirmando que eu tinha desviado verbas para pagar a casa de uma suposta amante… Enfim, já estou meio perdido com meu discurso, por causa da emoção, do transtorno e do ódio. Mas tudo bem, nobres colegas. Eu quero dizer que essa maldita imprensa agora vem atacar meus nobres colegas de partido que haviam sido injustamente acusados do MESADÃO!

domingo, 11 de julho de 2010

A Grande Privada Pública continua…

Em uma matéria na última edição da VEJA, comentou-se sobre o recorrente problema do ato de urinar em público. Ora, os homens (e algumas mulheres, conforme já presenciei de fato) muitas vezes se aliviam publicamente, transformando o espaço público em uma tremenda privada. Foi o que alertei, há quase um ano, no meu post Privada Pública ou Consideração Filosófica sobre a Grande e Pequena Corrupções, no qual narrei alguns fatos e um pesadelo muito estranho que me atemorizou. O fato é que a urina pública é uma afronta aos princípios básicos de higiene, de etiqueta e de respeito. Respeito não só com o próximo, aquele que poderia passar no exato momento do ato de urinar ou que passará depois quando o fedor de amônia for insuportável, mas também respeito com o bem público – e sobre isso talvez me explique em outro post.
Estava andando pelas ruas de minha cidade – minha na medida em que nela vivo – quando me deparo com um homem de idade respeitável urinando encostado em um muro. Resmunguei um pouco, mas o velho virou a cara para mim e piscou o olho direito. Que fazer? Continuei o meu caminho. Na mesma semana, eu o encontrei novamente e novamente o infeliz estava urinando, agora próximo a um poste. Os horários dos encontros eram os mais variados. Na primeira vez, foi bem de manhã, eu estava indo dar aquela caminhada matinal. Na outra, foi perto das sete da noite e, dessa vez, ele estava, mais ou menos, escondido. Fora o fato de urinar em público, notei que o homem, já com seus cabelos brancos, demonstrava a maior seriedade e respeitabilidade. Percebi que se tratava de um homem que perdera o juízo. Tive a certeza quando ele, na terceira vez que nos encontramos na praça principal da cidade, me contou o seu credo político.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Contra o Ficha Limpa, pelo Deputado Tomás Armando Mutretas

(Este texto é ficcional, tratando-se apenas de uma paródia. Qualquer semelhança é mera coincidência.)
O Santas Sátiras é um blog que tem o orgulho de afirmar-se isento. Por isso, apesar de o autor deste blog apoiar todas as medidas para a moralização da vida pública, também queremos mostrar os argumentos do outro lado.
Por isso, que é com espírito da cidadania, passamos a palavra para o excelentíssimo deputado Tomás Armando Mutretas:

Meus prezados e queridas,
Para quem não me conhece, me chamo deputado Tomás Armando Mutretas e tenho orgulho de ser político. Além disso, tenho orgulho de ser de uma família de políticos.
Por que afirmo que tenho orgulho de ser político? Porque vejo em todos os cantos, em todas as mídias, em toda a classe média, uma tal ojeriza pelo ser político, uma tal aversão e asco que me sinto, em determinados momentos, temeroso de revelar minha profissão. Sou político e, logo, me acusam de todos os erros e falcatruas de uma parcela mínima dos políticos. O que me diriam vocês do seguinte: se alguém fosse a um médico que se mostrasse um charlatão, poderia acusar todos os médicos de charlatões? Se alguém fosse a um advogado desonesto, poderia generalizar e difamar todos os advogados? (Aliás, sou advogado por formação e todas as piadinhas contra a minha profissão considero de extremo mau gosto). Claro que não! Claro que vocês iriam considerar essa pessoa um pouco sem razão.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Anistia ampla, geral e irrestrita para... os Corruptos

 Vocês devem estar achando que este presente e humilde autor ensandeceu de vez? Como propor uma anistia para os corruptos e, além disso, uma anistia ampla, geral e irrestrita para os seus crimes, exatamente no momento em que se busca moralizar os políticos? Especialmente, com o projeto da Ficha Limpa?
Sim, pode parecer paradoxal, mas se minha proposta tem um lado muito complacente, os seus efeitos serão, por todos, considerados mais benéficos que maléficos.
Minha proposta é a seguinte: todos os políticos que atualmente detenham cargo eletivo, ou que o detiveram nos últimos cinco anos, devem confessar todos os seus crimes e contravenções, em público, para terem seus crimes e contravenções totalmente perdoados. Devem, no entanto, expor tudo: todos os esquemas, todas as falcatruas, todos os cambalachos, todos os desvios de verbas, todos os mensalões, tudo! Se não confessarem, ficarão sob a mira do Procurador-Mor, cuja função será descrita mais adiante.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Fantástico Mundo de Bobo

Este blog já foi mais democrático. Inúmeras vezes dei espaço para os desvalidos que, em nenhum outro lugar, o teriam para expor seus profundos pensamentos. Por isso, quando conheci meu grande amigo Bobo, percebi que tinha a chance perfeita. Bobo é um cara simpático, um pouco atrapalhado nos pensamentos, mas bem legal se tivermos paciência em acompanhar a rapidez (! - ponto irônico) de suas ideias.
Conheci-o andando nas ruas deste Brasil grande de Deus. Sempre a coçar a cabeça, ele me perguntava tudo e qualquer coisa quando começamos a nos tornar mais amigos. Sempre com um jornal nas mãos, ele os lia com simplicidade de um grande gênio. Mas vamos ao pensamento de Bobo, o grande pensador.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Código do Corrupto: Proposta para Regulamentar a Corrupção

Podem argumentar, como muitos certamente argumentarão, que algo de contraditório há nas opiniões do presente escriba, pois, não muito tempo atrás, em um inflamado e mau escrito texto, atacou, cheio de ojeriza e de altivez, a malfadada corrupção. Contra-argumento afirmando que meus argumentos vão ao gosto do instante e que só os idiotas - sim, acho que chamei alguém de idiota - mantém a inabalável certeza de suas opiniões. Contradigo-me, é certo, mas contradigo-me com classe, com graça, com textura. Assim explicado, vou à minha proposta de regulamentar a corrupção em nosso país.
 Em nosso grandioso país, a corrupção é um mal recorrente, no qual muitos concorrentes se batem pela melhor propina. Quantos casos mesmo houve de corrupção nestes últimos anos? Parece que os militares, quando instauraram a ditadura ou, para alguns, ditabranda, conseguiram liquidar os comunistas, mas os corruptos...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A Orgia da Corrupção




Sim, meus caros colegas, isso é um fato, ainda que triste (embora haja aqueles que gostariam de se vangloriar disso), mas vivemos na Orgia da Corrupção. E podemos afirmar que corrupção quase institucionalizada.
Antes de eu entrar no nosso tema, por favor, me respondam algumas questões:
Quantos políticos, acusados de corrupção, foram efetivamente presos ou penalizados de alguma forma no Brasil?
Quantas acusações surgiram, foram investigadas e não deram em nada?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Onófrio, o Honesto ou Considerações sobre a Corrupção



Eu já devia ter apresentado para vocês o meu amigo Onófrio. Ele é único. Impagável. O cara mais correto que conheço. Para falar a verdade, Onófrio é o nome do meu herói. A cada semana que passa, a cada dia que se finda, mais eu confio no meu amigo Onófrio, chamado o Honesto por toda a gente. Todos confiam no Onófrio, deixando alguns até a carteira com ele em sua pequena mercearia (pois é, ele é comerciante e um comerciante honesto...), pois sabem que Onófrio nunca os roubaria.
Um fato que Onófrio não entende: como é que existe gente neste grande mundo capaz de passar a perna no seu próximo? Ele meneia a cabeça, olha para o céu e sempre se questiona: como pode existir o mal em tão linda terra? Vá lá, se ele prestasse realmente atenção no sermão do padre, iria lembrar-se que fomos expulsos do paraíso por comer o fruto proibido. O Brasil, para ele, era um paraíso. No entanto, como eu gostava de pensar, o nosso paraíso, às vezes, muito rapidamente se tornava um inferno. Com isso, não quero passar por pessimista nem entreguista. Amo meu país...

domingo, 18 de outubro de 2009

Reforma Política


Cidadãos e cidadãs do meu Brasil,


Muito tem-se discutido sobre a reforma política neste grande país. Vemos que nossos representantes sempre estão muito empenhados em melhorar a condição de vida de todos os brasileiros, começando, é claro, com a melhoria da condição de vida deles e de suas famílias. Nada mais natural. Como um deles defendeu quando soube que um programa social estava sendo flagrantemente roubado, é humano ser corrupto. Ou é corrupto ser humano... Ou algo parecido.
Diante de tais fatos, muitos acusam os políticos de roubarem o meu, o seu, o nosso dinheiro, usando-os para fins menos ortodoxos. Além disso, depois das últimas crises do Congresso, depois da crise do Mensalão (mensalão? que mensalão?...), depois das infinitas crises desde que o Brasil é Brasil, novamente vem a público uma campanha pela reforma política.

domingo, 4 de outubro de 2009

Legalização das Drogas: um outro ponto de vista

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Problema grave e, muitas vezes, trágico é o comércio e tráfico ilegal de entorpecentes e drogas ilícitas. Chuvas de balas perdidas, meninos cooptados para a criminalidade, mortes de inocentes e carrascos, corrupção ativa e passiva, terror constante dos cidadãos, má publicidade do Rio e outras cidades brasileiras no exterior! Essa situação é insuportável. Como podemos viver com a guerra constante em nossas portas? Como podemos viver com o terrível espectro dos traficantes de drogas, esses marginais que tudo aniquilam com suas drogas e com suas armas? E a polícia, apesar de todos os esforços, não consegue impedir esse pérfido comércio.

Muitas pessoas encontram a morte ou dela se aproximam bastante quando nesse negócio bandido se intrometem. Não só os dependentes e traficantes morrem, mas também pessoas inocentes que nunca experimentaram drogas ou outras substâncias ilícitas. É um fato triste.

Dessa forma, diante desses acontecimentos lamentáveis, muita discussão tem ocorrido em relação à legalização ou não dos entorpecentes.

domingo, 27 de setembro de 2009

O Manual dos Manuais de Auto-Ajuda

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Um amigo meu, depois de um período longo sem vê-lo, surgiu do nada com um grande sorriso no rosto e a mão estendida para o cumprimento milenar (ou mais, não sei...), enquanto eu estava deprimido por me encontrar literalmente na pior (financeiramente falando...).

Esse meu amigo se formara advogado em uma dessas novas faculdades privadas que pululam por aí. Durante o curso, ele só pensava em mulheres e farra. Depois, começou uma frenética busca por emprego, sem muito sucesso... Da última vez que ouvi falar dele, me disseram que estava estudando para ser juiz. Pelo sorriso e por sua roupa cara, achei que estava falando com um juiz...

"Então, doutor juiz...", brinquei.

"Que juiz que nada", replicou. "Descobri a fórmula do sucesso!" E antes que eu pudesse perguntar como, pois o meu sucesso não estava lá nada bem, ele já me respondeu: "Sou um autor de auto-ajuda. Mas...", disse olhando para um lado e outro, como se tivesse medo que outros o ouvissem, "mas não me apresento assim, digo como autor de auto-ajuda. Me apresento como consultor para o sucesso." Puxou um cartão no qual estava escrito em letras bonitas: Fulano de Tal, consultor para o sucesso. "Bem, você é inteligente. Acho que você merece essa chance. O meu instrutor vai fazer uma palestra só para os indicados. Eu estou indicando você. Aparece lá e você vai ficar podre de rico. Mas não conte para ninguém. Isso é segredo de estado!" E foi-se embora o meu amigo.

Estranhei o segredo, mas achei interessante participar desse encontro. Não vou comentar o fato de ele me dizer que iria ficar podre de rico... Acho que estou acima disso.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Privada Pública ou Consideração Filosófica sobre a Grande e Pequena Corrupções


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Muito agradável (neste exato momento, não consigo pensar em nada mais agradável) é acordar cedo, abrir a porta de casa e sentir o odor de urina velha e estragada.

Pois, muitos companheiros, irmãos, brasileiros adoram urinar na via pública, fazendo dela a sua particular privada. Sacam o seu falo para fora e, sem pudor nem vergonha, jorram a fedorenta excreção renal, líquido do interior de seu ser.



Esse mal (mal? pode ser considerado um mal?) não é apenas um mal dos cariocas, mas um verdadeiro mal nacional.


Mas quem pode culpá-los? Esses homens necessitados de se aliviar?! Se a Natureza chama, devemos obedecer e logo! Como podemos esperar que consigam por uns breves momentos se controlar (como esperar controle de seres humanos?) e encontrar um lugar chamado banheiro para, então, jorrarem os seus fluidos? É esperar muito do ser humano. Ainda mais de homens, como nós!


Assim, devemos suportar com bom humor o odor tão característico do urinar humano. Homens urinando nos postes! Homens urinando nos muros! Homens urinando no meio da rua!


Uma vez - e aqui vai um comentário individual, da experiência deste autor -, saindo de um venerável e velho prédio, deparo-me com a seguinte cena: uma mulher, sem eias nem peias, arria as calças, por entre dois carros estacionados (um sendo o deste pobre autor), e se põe a urinar! No meio da rua, tinha... Bem, não vou parodiar o poeta Drummond, mas vocês devem imaginar o grande prazer e conforto que senti ao ver aquela mulher fazer em público o que em privada deveria fazer. Sim, me senti nas nuvens! Nas nuvens da elegância e da educação!


Na esquina seguinte, havia guardas ou policiais, e, questionados sobre a baderna que estava ocorrendo, eles deram com os ombros e comentaram: "Logo, logo, é carnaval. É assim mesmo!"


Na época, fizeram muito pensar essas singulares palavras de nosso oficial. Logo, logo é carnaval! Não importa! Essas coisas não importam... O que adianta prender pessoas que só seguiram a natureza e, como cachorros, deixaram suas excreções para outros "animais" cheirarem? Uma leve multa levam e, depois, vão encher o caneco de cerveja em um boteco e, em seguida... Bem, vocês já sabem.


A nós, meros cumpridores da lei, dos bons costumes e da moral, pagadores de impostos cada vez mais exorbitantes, a nós, simples mortais, cabe apenas a conformidade!


O que farão se, em um dia de fúria, nós brigarmos com todos os porcalhões sem-vergonhas que mijam em nossas calçadas?!


Mas não! Não vou me levantar com ódio e vingança. Vou aproveitar o caso desses cidadãos urinadores em público para tecer algumas considerações filosóficas sobre a grande e pequena corrupções.


Outro dia, li sobre a Teoria das Janelas Quebradas (Fixing Broken Windows, só ver na wikipedia), dos renomados criminologistas James Wilson e George Kelling, que, em poucas e pobres palavras, afirmava que o crime é resultado da desordem. Se, em uma vizinhança, aparece uma casa com janelas quebradas, outras janelas serão quebradas. E, se ninguém fizer nada, logo casas serão invadidas, usadas por prostitutas e viciados, que atrairão outros mal-feitores para as redondezas e que roubarão, matarão, estuprarão os honestos cidadãos... Bem, vocês entenderam. O crime vem da desordem. O grande crime, do pequeno desleixo. Há uma grande e terrível escala, nesse caso, de degradação.


As ideias desses renomados criminologistas foram postas em prática na cidade de Nova Iorque (ou New York?) nos meados da década de 80 e começo de 90 do século passado. Nessa época, a cidade era um verdadeiro faroeste. Sem lei. Cidadãos inocentes viviam em constante temor. Todos temiam sair nas ruas.


Os metrôs eram o símbolo maior dessa onda de crimes. Vários assaltos e violências ocorriam no subterrâneo. Os metrôs eram todos pichados e quase ninguém pagava o bilhete de metrô. Um homem, chamado Willam Bratton, discípulo da teoria das janelas quebradas, contratado para dar um jeito nessa calamitosa situação. A unanimidade dizia que ele deveria focar nos crimes de maior repercussão. Mas Bratton disse não. Primeiro, acabaria com as pichações. Se um trem era limpo e pintado e, depois, pichado novamente, deveria ser imediatamente limpo. Os pichadores não poderiam mostrar as suas obras de arte!


E Bratton começou uma política de tolerância zero para o não-pagamento das fichas de metrô. Os guardas davam com os ombros (essa atitude lembra a de alguém?): para que se dar o trabalho de prender por uma pequena infração? Mas Bratton bateu o pé. Acreditava que muitos dos criminosos não pagavam o bilhete e que pôr ordem nesse setor seria um passo decisivo para diminuir o índice de criminalidade. Manteve 10 policiais à paisana e eles prendiam todos os espertinhos, algemando-os e deixando-os à mostra na plataforma, como exemplo (aqui nossos advogados gritariam contra a falta de consideração pelos direitos dos bandidos, isto é, seus clientes!), e, no final do dia, levavam todos para a delegacia. Também começou a ser feito um levantamento de todos esse pequenos infratores e o resultado foi espetacular. Cada um que entrava descobria-se uma coisa pior.


Com isso, os crimes no metrô foram diminuindo radicalmente. Bratton parecia ter razão. Quando Rudolph Giuliani tornou-se prefeito, nomeou Bratton chefe do Departamento de Polícia. Bratton continuou com sua política e deu resultados.


Mas por que estou falando desses gringos? A nossa situação não é singular? O nosso caso pode ser comparado com o deles, desses norte-americanos metidos à besta?


As imagens dos policiais dando com os ombros e - pior! - da mulher urinando na minha frente não me saíram da cabeça enquanto eu lia sobre a teoria das janelas quebradas e Bratton (no livro O ponto de virada de Malcolm Gladwell). Pois, pense, caro leitor, mas pense bem sobre o que, em seguida, me ocorreu.



Após ler e pensar o que acima escrevi, fui me deitar. Não consegui dormir (por causa da indignação, esse verme que nos devora?) e, quando me conciliei com o Morfeu, tive um sonho deveras estranho.



Estava eu a caminhar pela calçada quando vi um único homem encostar-se em um poste, abrir a braguilha e urinar. No meio da rua, no meio de toda gente. Fiquei espantado com tamanha ousadia, mas meu espanto ficou ainda maior quando percebi que ninguém ligava, ninguém se importava. E, depois, vi outro homem, na padaria, sacar sua arma e começar a mijar na porta mesmo do estabelecimento. Outro, mais idoso, também seguiu o mesmo caminho. Quando percebi, assombrado, que a maioria dos homens estava fazendo da rua sua pública privada. Até um funcionário da prefeitura! Um policial, igualmente! Corri, pois não aguentava mais o fedor! Mas, em todos os lugares, o mesmo e absurdo comportamento. E vi ainda carros passando sinais vermelhos e estacionando em locais proibidos. Policiais levando uma propina da boa. Vendedores de cds e dvds piratas vendendo livremente seus produtos piratas! Um absurdo após outro. Estava asfixiado pelo fedor e pela amoralidade! Sim, estava no inferno ou no Brasil...? Tudo estava errado! Só eu que via isso! A tv, em uma loja, onde o vendedor urinava perto do hidrante, transmitia políticos honrados, fazendo declarações e rindo. Depois, esses mesmo políticos apareceram urinando nas ruas de Brasília. Mas eles eram monstros gigantes, com tremendos falos, aparecendo ao lado do congresso nacional. E seu mijo era um rio! Um imenso rio de urina! E todos, em minha volta, começaram a rir e a comentar: "Fazer o quê? Se eu estivesse lá, também roubava tudo e todos! E você?" Foi o que me perguntaram. Quando fiquei calado, se espantaram. E começaram a me inquirir: não vai mijar, não? Não vai dar propina, não? Não vai roubar, não?



E fiquei com medo! Gritei! Assustado, corri e todos correram atrás de mim. Homens, mulheres e crianças, que urinavam na rua, me olharam angustiados! Estavam todos atrás de mim. Corri como se fosse minha última esperança! E, no momento em que me encurralaram, graças a Deus, acordei. Todo suado, é claro, mas não havia urinado na cama.



Liguei a tv e vi os casos de escândalos de políticos. Vi uma reportagem sobre os males das pequenas infrações! E - eureka!, gritei - considerei o que tinha lido e o que tinha sonhado! Vi, como uma imagem profética, a pequena corrupção, aquela do dia-a-dia, e a grande corrupção, aquela das grandes mamatas! Vi o elo entre elas, entre a propina que damos para o guarda (para liberar a nossa barra) e a propina que o político pede dos grandes empreiteiros! Vi que o rio de urina, que começa pequeno, transforma-se no amazonas de excreções (não só de urinas!) e de corrupções que empesteia nosso país! As janelas estão todas quebradas, mais quebradas impossível!, e todos fazem o que querem aqui!



É preciso um grande político! Um grande líder que tenha tolerância-zero com a corrupção! Um Líder que ponha em prática a teoria das janelas quebradas! Um líder que não tenha medo, nem teto de vidro! Um líder que tenha a moral ilibada e que não tenha medo de nada!



Mas que digo eu? Já não temos um grande líder assim?!? Tomara que ele tenha tempo para limpar esse país de cabo a rabo!

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