Meus prezados, como somos bem informados, sabemos que a união civil entre pessoas do mesmo sexo ou uniões homoafetivas foram reconhecidas pelo Supremo Tribunal Federal em uma decisão histórica. É claro que tal decisão foi um grande avanço dos direitos dos homossexuais e, por conseguinte, no direito de todos nós, mas a união civil, apesar de praticamente abranger todos os aspectos do direito civil e familiar, não é ainda o tão sonhado direito de se casar. O casamento, ato em que solenemente duas pessoas se unem para formar uma família, ainda está longe das mãos dos homossexuais. Enquanto os heterossexuais podem usufruir as benesses (e malefícios...) do casamento, isso está fora do alcance dos homossexuais.
Na medida do possível, este blog tem um único propósito: apresentar sátiras sobre assuntos caquéticos, contemporâneos e eternos. Assuntos humanos. Só.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
quarta-feira, 14 de abril de 2010
domingo, 4 de outubro de 2009
Legalização das Drogas: um outro ponto de vista
sábado, 22 de agosto de 2009
A (in)decisão de Mercadante ou Sobre a Coerência Política
Não podeira deixar de passar em branco a atitude do senador-mais-votado-do-Brasil Aloizio Mercadante.
Apesar do nome ser de Mercadante, nunca vi ninguém acusar Mercadante de usar seus votos no mercado politiqueiro, sobretudo no mercado informal (praga de nossa cultura de cumpadrismo).
E Mercadante sempre foi um nome forte de nossa política brasileira.
Por isso, eu digo que Mercadante é o exemplo último da coerência política e, em particular, da política brasileira.
Um dia ele afirma: Vou sair em caráter irrevogável.
No dia seguinte, completa: não vou sair!
Pode parecer que outros políticos tenham mais coerência do que o Mercadante.
Sim, houve em nossa história, e em nossa história recentíssima, políticos que nos honraram com doses cavalares de coerência política.
Mas, que eu me lembre, ainda que minha memória seja de peixe, nenhum político conseguiu ser tão coerente em menos de vinte e quatro horas.
De irrevogável para revogável, bastou um papo.
Então, parabéns para Mercadante, o político mais coerente do Brasil. Os seus eleitores também deveriam ter o mesmo tipo de coerência.
Aliás, para quem não percebeu e parafraseando Pascal, a coerência política possui razões que a própria razão desconhece.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
DEFESA NÃO-IDEALISTA DOS MACACOS - Fala de Macaco Tião
O macaco volta à cena
E pergunta pro homem:
Acha que valeu a pena?
Millôr Fernandes
Homens e Mulheres, porque sou politicamente hipócrita, como vocês!
Sou um macaco. E muitos de vocês podem me desconsiderar por esse simples fato.
Vão comentar minhas falas: "Isso é um macaco! O que é que um macaco sabe da vida? Ou de nós, seres humanos, muito mais evoluídos do que esse ser inferior?"
Não gosto disso, mas é racismo. Ou, no mínimo, preconceito contra minha espécia que, cada vez mais, se torna uma minoria.
Mas não estou aqui para falar sobre os humanos que me menosprezam.
Estou aqui para falar com os humanos que nos estimam, a nós, macacos.
Não quero que pensem ser eu um defensor idealista de minha espécie. Muito pelo contrário, aliás.
Nós, macacos, podemos ser cruéis.
Somos, com certeza, violentos. Faz parte de nossa chamada natureza - ou será de nossa cultura? - formar grupos, atacar outros, dominar, ser dominado, fazer alianças e matar nossos inimigos.
YES, nós podemos. Nós fazemos e acontecemos.
E tudo por quê? Para sermos os machos-alfa! Para sermos os maiorais! Para podermos transar com as fêmeas no cio. Porque é uma coisa que as mulheres humanas nunca entendem. Nós gostamos de transar. A maioria, com fêmeas. Alguns, com machos. E outros... Bem, não entremos em detalhes escabrosos.
Lembram-se de Ensaio sobre a Cegueira, do lúcido escritor José Saramago? Os cegos mais fortes, logo, dominaram os cegos mais fracos. Primeiro, demandaram objetos de valor. Em seguida, ordenaram que mandassem as mulheres. Essa é a regra da raça humana. Os mais fortes se aproveitam dos mais fracos. Saramago conseguiu ver que os seres humanos, hoje, só não são os malditos seres que podem ser, porque estão sendo continuamente vigiados pelo Big Brother (não o da televisão, mas o de George Orwell) ou o Leviatã (o de Hobbes, claro), que é o conjunto formado pela polícia, justiça, Estado e todos os bisbilhoteiros de plantão da sociedade humana. Quando "socialmente" cegos, a guerra de todos contra todos voltou a reinar... Não só na ficção.
Bem, é assim com vocês, seres humanos, mas nós também fazemos nossas diabruras.
Uma grande mulher, cientista, bióloga e inglesa é a dona Jane Goodall, que pesquisou e pesquisa a minha espécie praticamente durante toda a sua vida (será que é para melhor entender a sua? Não sei). Um fato, que ela constatou, é que nós, macacos ou, mais especificamente, chimpanzés, somos seres cruéis. Ou melhor, capazes de crueldades. Matamos pura e simplesmente por causa de território, com todos os seus privilégios, é claro. E matamos, às vezes, com requintes de maldade. Não sempre. Somente, às vezes. Arrebentamos nossos inimigos. Isso é certo. E a todo custo.
Por isso, não quero que ninguém afirme, por aí, falsidades sobre minha visão de mundo.
Apenas, constato que vocês, seres humanos, são mais vorazes e imbecis. Mais imprudentes e desmedidos.
Não basta matar o inimigo. Parece que vocês querem matar a si mesmos.
Não tenho problemas com isso... É só vocês não me levarem junto.
Aliás, eu já estou morto mesmo! Tinha me esquecido desse pequeno detalhe.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Comédia: pura e satírica
Faço uma distinção básica entre comédia pura e comédia satírica.
É uma distinção particular. Outros autores têm as suas. Algumas parecidas com a minha, mas que não vêm ao caso...
Comédia pura só tem o intuito de fazer rir. Não tem grandes pretensões e nem parte do princípio básico de que todos os humanos são seres vis, egoístas e canalhas. O comediante "puro", se há algum desse tipo, estaria tão-somente interessado no aplauso e nas gargalhadas do público.
Já o comediante satírico...
Ele deve, em primeiro lugar, FAZER RIR. Se não souber isso, não é comediante. Se não for comediante, não é um comediante satírico.
Mas o intuito principal, o segredo por trás da máscara, é um grande pessimismo e desalento do ser humano.
O grande comediante satírico satiriza a sociedade inteira não para agradar, mas para acusar. Disfarça essa acusação com o humor para seu público.
Se ele falasse claramente sua crítica, seria rechaçado como ingrato, pessimista e infeliz.
Essa é uma justificativa para o uso do humor. Outra, mais profunda, é que o próprio satirista não conseguiria viver, não suportaria as injustiças deste mundo, se não fosse humor.
Se não fosse a capacidade de rir de tudo, sobretudo de si mesmo!
Assim, quando ouvir uma piada, preste atenção, mas muita atenção, pois você pode estar rindo de si mesmo, sem saber.
domingo, 19 de julho de 2009
Fica Sarney!
É muito fácil atirar a primeira pedra!
Defesa de Nossos Representantes

Muito me aflige o momento atual. Vivemos em um momento de crise. Ou melhor, de crises. Uma crise após a outra. Uma crise gerando outra. Uma crise ao lado da outra. Enfim, crise para dar e vender. A torto e a direito.
Infelizmente, a crise ou as crises estão atacando os nossos humilíssimos e digníssimos representantes. Os eleitos pelo grandioso e inteligente povo brasileiro. Muito me acabrunho.
As nossas instituições e nossos ilustres representantes estão sendo atacados por todos os lados. Ninguém é santo ou freira nessa história toda, como um grande filósofo lembrou.
A imprensa, talvez financiada pelo império decadente, está conduzindo uma campanha contra as sagradas instituições da República.
Onde já se viu atacar o Senado? E a Câmara de Deputados? Atacá-los é atacar a democracia, meus amigos. Não nos deixemos enganar. Devemos prestar bem atenção no que lemos e ouvimos para não concluirmos erroneamente.
O Senado tinha 180 diretorias? O que havia demais nisso? Mas, mesmo assim, muita gente reclamou, gritou, bradou e fez a maior balbúrdia contra isso. Ora, meus amigos, como os nossos ilustres senadores poderiam trabalhar com menos?! Como eles conseguiriam contribuir tanto para a nossa grande Nação com menos de 180 diretorias?! Pasmo fico eu com as pessoas (ingênuas algumas; maldosas outras) que não conseguem compreender a grandiosidade do trabalho dos senadores de nosso país. Eles são verdadeiros heróis, porque deveriam exigir mais e mais diretorias. Merecem medalhas e honra por estarem lá para defenderem nossa liberdade, nossa igualdade e nossa fraternidade. E nós os criticamos por terem 180 diretorias?! Há diretorias para tudo, é claro. Diretoria da Garagem. Diretoria do Aeroporto. Diretoria dos Achados e Perdidos. Todas mui necessárias. Os senadores, sem elas, estariam perdidos!
Pois, deveria haver mais. Deveria haver, por exemplo, a diretoria da Unha Encravada, pois, vejam bem, caso um dos nossos digníssimos senadores tivesse a nobre unha encravada, como é que ele trabalharia para mudar o nosso país?! Uma diretoria da Unha Encravada é mui necessária, e com, vá lá, todos os benefícios imagináveis e inimagináveis para os servidores.
Eu fico envergonhado com a falta de gratidão de nosso povo, pois devemos é agradecer, todos os dias, os senadores por serem tão comedidos e frugais com o uso do nosso dinheiro – que, se estivesse em nossas mãos, seria tão mal usado.
Cometi uma injustiça. Do nosso povo, não. Nós, brasileiros, estamos de parabéns. Sempre elegemos os mesmos representantes, com algumas raras exceções. Quem é ingrato, pequeno e mesquinho é a imprensa brasileira, que adora atacar os nossos insignes representantes.
Quem criou esse circo de crises? Quem está atacando os nossos dignos representantes? Os jornais, a chamada mídia!
Exatamente por essas e outras que alguns de nossos líderes já comentaram que não “ligam” ou não se “importam” com a opinião pública. Ora, como poderiam se importar? No mundo ideal, um mundo ideal para os nossos dignos representantes, bastaria que votássemos a cada quatro anos e, durante esse interlúdio, os eleitos teriam toda a liberdade para fazerem o que bem entenderem.
Ué? Mas nós não os escolhemos?
Se os escolhemos, devemos aturá-los.
Eu fico indignado. Essa que é a verdade. Indignado com essa campanha mesquinha.
Desde quando um homem não pode ter uma amante gostosa e mantê-la com todos os meios possíveis à sua disposição?
Desde quando um homem não pode realizar seus sonhos, como, por exemplo, de possuir um castelo?
Desde quando um homem não pode utilizar sua cota de passagens aéreas para o constitucional direito de ir e vir, ainda que seja o direito dos outros?
E isso não se trata de direito adquirido?! Eles usaram e abusaram desse direito e, agora, por causa de uma campanha na imprensa, acabam com esse direito! Isso é um caso de impetrar uma ação de inconstitucionalidade no STF.
E o subsídio de nossos representantes? Pouco, muito pouco.
Como eles conseguem viver em Brasília, assim?!
Eles cuidam de fazer nossas leis. As leis são regra do jogo. São muito importantes, porque determinam tudo que podemos e não podemos fazer, como fazer, onde fazer e até com quem fazer. Portanto, os nossos representantes deveriam ganhar mais. Apesar de serem exemplos de nossa sociedade, eles também são seres humanos. Seres humanos, como Maquiavel uma vez falou, são volúveis, fracos, orgulhosos e corruptos. Como disse um grande ministro do melhor ministério de todos os tempos, é da natureza humana furtar. Assim, se os nossos representantes não ganharem bem, mas muito bem mesmo, podem ficar mais tentados ao canto das sereias corruptoras!
Claro que algum pessimista ou cético poderia argumentar que, mesmo ganhando bem, os nossos representantes jamais perderiam uma oportunidade de ganhar mais. Bem, em resposta a esse argumento, afirmo tão-somente que tenho o maior respeito pela integridade e honestidade de todos os nossos representantes. Assim, não creio que eles, se ganhassem bem, queiram ganhar mais por outros meios.
Eu acredito neles.
Vocês não?
