Na medida do possível, este blog tem um único propósito: apresentar sátiras sobre assuntos caquéticos, contemporâneos e eternos. Assuntos humanos. Só.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
O candidato fala a verdade para o povo!
domingo, 9 de setembro de 2012
O blog está morto
Não há dúvidas quanto a isso.
O tempo passa, nos ignora. Os compromissos nos atropelam e ficamos atordoados perto do meio fio. E um belo dia a distinta Sra. Morte vem nos visitar.
Não devemos demonstrar surpresa. Não devemos perguntar: mas já? Devemos manter a frieza. Devemos convidá-la a entrar, a se sentar. Pode não parecer mas ela fica muito satisfeita com essas distinções.
(Deve-se evitar o máximo o instituto naturalíssimo de se sair correndo dali em desespero. Deve-se lutar.)
Ou melhor, deve-se jogar.
Convidemo-la para um jogo. Um jogo de xadrez (sim, sim O sétimo selo).
A dona Morte faz a sua jogada. E nós fazemos a nossa.
"Vocês, humanos, são engraçados", ela me diz. "Passam a vida sonhando, esperando que seus sonhos simplesmente aconteçam. Mas sou eu quem chego e vocês se desesperam".
Nesse momento, ela se aproxima de mim e diz: "Eu sei que você está desesperado. Não tente negar. Você é um bom jogador, porém. Teria mais chances se fosse poker..."
Como poderia eu blefar com a Morte?
"E você..." Eu sabia o que ela ia dizer. Eu a interrompi.
"Desculpe, senhora. Mas eu tenho outra adversária a vencer".
A Morte me olhou atônita.
"A Vida. Eu tenho que vencer a vida".
"Ah", me disse a Morte. "Neste caso, eu espero, meu querido. A Vida é muito mais cruel", e ela riu.
"Devo dizer que adorei sua atuação em As intermitências da morte, do Saramago", disse para puxar o saco.
Ela riu.
"O pessoal gostou mais quando eu incorporei no Brad Pitt, naquele filme idiota". E ela se foi.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Louco, eu? De forma alguma… ou o Experimento Pangloss–parte II
Doutor Pangloss gritava:
“Me tirem daqui! Eu não sou louco! Era tudo faz de conta, tudo parte de um experimento! Eu exijo que me tirem daqui, seus desgraçados!”, e doutor Pangloss bufava, babava, batia as mãos na cabeça, caía no chão.
“Vê-se bem que o doido não tá doido”, disse a enfermeira para o enfermeiro.
“A primeira coisa que eles dizem é que não são doidos”, disse o enfermeiro para a enfermeira.
“Mas eu não sou doido. Eu sou um respeitado pesquisador de psicologia. Eu sou o eminente doutor Pangloss!”
“O seu colega da esquerda pensa que é Napoleão Bonaparte'”, disse a enfermeira.
“O da direita ora diz que é Lula, ora que é FHC. Realmente um caso muito interessante”, disse o enfermeiro.
“Mas eu não sou louco! Eu não sou louco”, esbravejou com fúria doutor Pangloss, o que deixou Lula/FHC ou FHC/Lula e o pobre Napoleão nervosos e agitados. A enfermeira olhou para o enfermeiro e este percebeu que era hora de dar o mata-leão no pobre doutor Pangloss. Este ainda tentou contra-atacar, mas o enfermeiro o agarrou enquanto a enfermeira injetava na veia o doce tranquilizante. E doutor Pangloss caiu em um sono sem sonhos…
domingo, 25 de setembro de 2011
Louco, eu? De forma alguma… ou o Experimento Pangloss–parte I
Tratava-se de um experimento revolucionário em terras tupiniquins. Não que já não tivesse sido realizado em outros países, sobretudo nos ditos países de primeiro mundo, mas, para o Doutor Augusto Pangloss, esse experimento seria um divisor de águas na psicologia brasileira, tal como Moisés foi um divisor de águas na história da humanidade. Vá lá, leitor, talvez nosso doutor Pangloss estivesse um pouco entusiasmado com a experiência e, com isso, a considerasse em termos tão vastos e grandiloquentes, mas quem de nós pode julgar o valor de uma experiência antes mesmo que ela seja realizada? Quem de nós pode julgar despropositada uma experiência de um visionário? Quem de nós pode julgar a sanidade ou insanidade de um renomado cientista que, por vezes ou, aliás, quase sempre, é visto como louco pela sociedade? Não seria a própria sociedade que é louca e o cientista, filósofo ou artista, o único são? Mas isso são considerações que atrapalham o pensamento do cientista, segundo o doutor Pangloss. Temos que ser frios e objetivos, repetia o doutor.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Humanidade: exercício de futilidades…
A humanidade é o ápice da criação, certo? Somos os seres mais evoluídos de que temos conhecimento e Deus nos fez à sua imagem e semelhança, não é mesmo?
Bem, vai lá estudar um pouco o comportamento humano. E também história, caro leitor.
Claro, claro, não estou acusando você, leitor, de ser um arrematado canalha. Lembra-se de Hamlet? Somos todos arrematados canalhas? Ah, não leu Hamlet? Viu o filme do Mel Gibson? Tudo bem…
terça-feira, 28 de junho de 2011
Invasão de hackers não afeta Santas Sátiras
Como esse blog é muitíssimo visitado (cerca de 3 visitas por semana, aí incluídas a de seu criador e autor…), como ele é mundialmente conhecido (foi visitado em dezembro de 2008 por um brasileiro perdido na Noruega…), como é debatido na imprensa mundial (foi publicado um artigo no jornal do bairro, de autoria deste nobre escriba), como ele cegamente defende nossos representantes (desnecessário dizer…), os hackers tentaram invadir o nosso servidor e escrever algumas mensagens terroristas.
Eu, como um blogueiro altamente instruído, ainda os sacaneei e afirmei que eles nunca conseguiriam tomar de mim a minha amada senha, que, por acaso, era (e ainda é…) 123456…
Eles riram, me agradeceram e tomaram meu blog!
Por favor, senhores hackers, aqui está meu pedido. Devolvam meu blog! Não me deixem sem ele!
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Partido dos Sem-Vergonha
Tomás Armando Mutretas retorna aqui para declarar a inauguração do novo partido político brasileiro. O partido dos Sem-Vergonha. Com a palavra sua excelência, Tomás Armando Mutretas:
“Meus caros colegas, venho hoje aqui com muita alegria convocar todos os nobres cidadãos e cidadãs do Brasil para a criação do que será e do que já é o maior e melhor partido do Brasil, o Partido dos Sem-Vergonha!
“Sim, nós, sem-vergonhas, não ficamos propriamente dentro dos armários, como nossos colegas homossexuais, mas ficamos muito tempo na escuridão, na moita e na artimanha. Usávamos de subterfúgios vis para esconder nossa condição de mau-caráter. Quando alguém nos acusava em plenário que éramos uns sem-vergonha, ficávamos indignados (ou fingíamos indignação, melhor dizendo), entrávamos com processos de calúnia e difamação, para que nosso eleitorado continuasse votando em nós. Mesmo que nossa sem-vergonhice chegasse a extremos como, por exemplo, quando possuímos não só amantes fora de casa, mas verdadeiros haréns, ou quando usávamos o dito dinheiro público para os nossos privadíssimos interesses, nós tínhamos, é verdade, a cara dura de afirmar, pela nossa mãe mortinha, que éramos inocentes. Os menos hipócritas afirmavam apenas que todo mundo é inocente até que se prove o contrário…
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Diálogo entre um otimista e um pessimista
Pessimista – Pode ser, mas eu acho que não.
O – Por que não, meu amigo? Agora casais homossexuais têm os mesmos direitos de casais hetero…
P – Tudo bem. É um avanço, mas acho que o preconceito não vai acabar não. Talvez até aumente.
O – Meu caro amigo, creio que você tenha uma visão muito pessimista da vida...
P - Se você tá dizendo...
O – Eu acho que o preconceito vai acabar sim. Por exemplo, o Congresso vai votar a lei contra a Homofobia.
P – No congresso? Bem, lá essa lei não passa. Já viu como tem uma bancada extremamente retrógrada.
O – Então que eles façam uma consulta popular…
domingo, 11 de julho de 2010
A Grande Privada Pública continua…
Estava andando pelas ruas de minha cidade – minha na medida em que nela vivo – quando me deparo com um homem de idade respeitável urinando encostado em um muro. Resmunguei um pouco, mas o velho virou a cara para mim e piscou o olho direito. Que fazer? Continuei o meu caminho. Na mesma semana, eu o encontrei novamente e novamente o infeliz estava urinando, agora próximo a um poste. Os horários dos encontros eram os mais variados. Na primeira vez, foi bem de manhã, eu estava indo dar aquela caminhada matinal. Na outra, foi perto das sete da noite e, dessa vez, ele estava, mais ou menos, escondido. Fora o fato de urinar em público, notei que o homem, já com seus cabelos brancos, demonstrava a maior seriedade e respeitabilidade. Percebi que se tratava de um homem que perdera o juízo. Tive a certeza quando ele, na terceira vez que nos encontramos na praça principal da cidade, me contou o seu credo político.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
A Volta do Macaco Tião e O Buraco da Deepwater Horizon
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Contra o Ficha Limpa, pelo Deputado Tomás Armando Mutretas
Por isso, que é com espírito da cidadania, passamos a palavra para o excelentíssimo deputado Tomás Armando Mutretas:
Meus prezados e queridas,
Para quem não me conhece, me chamo deputado Tomás Armando Mutretas e tenho orgulho de ser político. Além disso, tenho orgulho de ser de uma família de políticos.
Por que afirmo que tenho orgulho de ser político? Porque vejo em todos os cantos, em todas as mídias, em toda a classe média, uma tal ojeriza pelo ser político, uma tal aversão e asco que me sinto, em determinados momentos, temeroso de revelar minha profissão. Sou político e, logo, me acusam de todos os erros e falcatruas de uma parcela mínima dos políticos. O que me diriam vocês do seguinte: se alguém fosse a um médico que se mostrasse um charlatão, poderia acusar todos os médicos de charlatões? Se alguém fosse a um advogado desonesto, poderia generalizar e difamar todos os advogados? (Aliás, sou advogado por formação e todas as piadinhas contra a minha profissão considero de extremo mau gosto). Claro que não! Claro que vocês iriam considerar essa pessoa um pouco sem razão.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
O Fantástico Mundo de Bobo
Conheci-o andando nas ruas deste Brasil grande de Deus. Sempre a coçar a cabeça, ele me perguntava tudo e qualquer coisa quando começamos a nos tornar mais amigos. Sempre com um jornal nas mãos, ele os lia com simplicidade de um grande gênio. Mas vamos ao pensamento de Bobo, o grande pensador.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Onófrio, o Honesto ou Considerações sobre a Corrupção
Eu já devia ter apresentado para vocês o meu amigo Onófrio. Ele é único. Impagável. O cara mais correto que conheço. Para falar a verdade, Onófrio é o nome do meu herói. A cada semana que passa, a cada dia que se finda, mais eu confio no meu amigo Onófrio, chamado o Honesto por toda a gente. Todos confiam no Onófrio, deixando alguns até a carteira com ele em sua pequena mercearia (pois é, ele é comerciante e um comerciante honesto...), pois sabem que Onófrio nunca os roubaria.
Um fato que Onófrio não entende: como é que existe gente neste grande mundo capaz de passar a perna no seu próximo? Ele meneia a cabeça, olha para o céu e sempre se questiona: como pode existir o mal em tão linda terra? Vá lá, se ele prestasse realmente atenção no sermão do padre, iria lembrar-se que fomos expulsos do paraíso por comer o fruto proibido. O Brasil, para ele, era um paraíso. No entanto, como eu gostava de pensar, o nosso paraíso, às vezes, muito rapidamente se tornava um inferno. Com isso, não quero passar por pessimista nem entreguista. Amo meu país...

