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domingo, 2 de outubro de 2011

Macaco Tião volta e ataca: humanos ou animais?

Vocês são todos testemunhas que eu, um macaco defunto, vez ou outra, faço minha voz soar do além para dizer algumas verdades para vocês, humanos.

Muito me indigno, no entanto, quando vocês, humanos, nos desdenham a nós, primatas superiores a vocês!

Bem sei que há muito Jane Goddal mostrou em seus espetáculos televisivos que somos também destrutivos, aguerridos, conspiratórios e, enfim, bem mais humanos que os outros animais. Aliás, já comentei sobre isso neste blog ínfimo, logo aqui.

Mas vocês ainda vêm com o disparate de nos chamar de humanos? De nos comparar com vocês, bichos destruidores e maléficos?

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Volta do Macaco Tião e O Buraco da Deepwater Horizon

Meus nobres humanos,

Chamo nobres por simples e puro respeito, já que eu, como macaco, sou um sujeito respeitador e de bons costumes, muito embora eu tenha jogado em vocês minha urina e minhas fezes misturadas à lama de minha jaula. Fiz isso simplesmente para divertir vocês, pois, quanto mais eu jogava, mais vocês riam.
Informo que estou de volta.
Fiquei muito tempo calado aqui no limbo dos primatas.
Enquanto vocês destroem este planeta, enquanto vocês poluem cada vez mais esta rocha chamada Terra, enquanto vocês consumem tudo em nome de seu progresso econômico.
Sim, eu venho denunciar a nefanda destruição que vocês, humanos seres, estão concretizando neste terceiro planeta do sistema solar.
Não adianta vocês me afirmarem que precisam do crescimento econômico para manterem seus empregos, para manterem seu nível de vida, para manterem as inumeráveis futilidades de sua vida!
Sim, a vida de vocês, humanos, é fútil.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Proposta de Macaco Tião para a Humanidade

Prezados humanos,



Faz tempo que aqui não me manifesto, pois bem sei eu que minhas manifestações e ataques contra o gênero humano passam despercebidos! Sei que o cinismo de vocês não tem limites.
Muito gratificante é ver a humanidade destruir todo nosso ambiente, devorando nossos parcos recursos além de sua capacidade de digestão, emitindo gases poluentes em nossa atmosfera, construindo altos arranha-céus para se pavonear com seus concorrentes – enfim, indo sempre além do limite do bom senso e da razão. Sempre desvirtuando os limites normais de saciedade.

sábado, 3 de outubro de 2009

Protesto contra Parentesco entre Chimpanzés e Humanos

Ardi.jpgHumanos, aqui volto para exprimir o meu profundo espanto e indignação!

Então, vocês, seres humanos, se consideram nossos parentes? Vocês argumentam que vieram de nossa família ou que tivemos um ancestral comum? Pois eu li sobre essa tal de Ardi, fóssil de 4,4 milhões de anos de idade e me assustei com a ousadia humana (como se eu não soubesse até que ponto vai a ousadia de vocês!).

Vocês realmente acreditam que somos parentes?


Tudo isso soa para nós, chimpanzés, como uma heresia! E, no mínimo, uma distorção ignóbil dos fatos!

sábado, 5 de setembro de 2009

A Vaca Mimosa se Apresenta ou a Revolta dos Animais

VACA5 pra blog.jpg


Venho aqui, a contragosto e com muita má vontade (e, obviamente, correndo perigo de ser "despachada" desta para melhor), me insurgir contra vocês, seres humanos, destruidores de meus iguais, sanguinários de minha espécie, carniceiros de minha prole.

Ó seres humanos, como vocês podem ser tão sedutores e tão gentis, quando nos alisam, quando nos alimentam, quando nos ordenham! Podem ser também cruéis nos machucando e maltratando, batendo e chicoteando! Cruéis quando nos separam de nossa prole, para nosso leite melhor tirar! Mas todos, os gentis e cruéis, sempre têm algo em comum. No tempo da matança, vocês, sem piedade nem dó, nos abatem como se fôssemos apenas alimento! E, para vocês, raça mísera, somos apenas alimento! Não é verdade? Vocês podem até mesmo falar conosco, como muitos de vocês fazem. Mas a mesma mão que nos afaga é a mão que nos mata.

Vivo no campo. Apesar de haver muitos pastos verdejantes, eu sei que sou uma prisioneira. Há cercas com arame farpado se eu andar para qualquer um dos lados. Muitos dos meus iguais não se importam, desde que tenham pasto e água.
 
Afirmam que basta ter comida e um pouco de espaço para caminhar. Aliás, aqui em minha prisão, há muito espaço. É uma das maiores prisões de gado que jamais vi ou verei. Sei qual é o meu destino. Uma vez, vi o que vocês fazem conosco! Com os meus próprios olhos!

Porque devo dizer que muitos de nós não acreditam. Conheço o boi Zebu, defensor da raça humana, que me difama perante o nosso rebanho. Afirma ele que estou com a doença da vaca louca, que eu sou uma comunista, que sou uma porca safada (não gostamos dos porcos como vocês gostam!). O boi Zebu, em vários discursos, ataca meus argumentos contra vocês, humanos, e defende que, sem a sua ajuda, estaríamos entregues à sorte da Mãe Natureza, que seríamos presas de onças ou cachorros-do-mato. Os seres humanos, segundo ele, por sua bondade infinita, prepararam e cercaram verdejantes pastos para que nós, os seres bovinos, pudéssemos tranquilamente viver. Os seres humanos são os nossos mais queridos irmãos! Que raça benigna! Que espécie maravilhosa! Foi por isso que Deus concedeu a eles a inteligência, que é capaz de moldar a natureza a seu bel-prazer.

Devo confessar que, por muito tempo, segui as orientações do rebanho. Boi Zebu é o macho reprodutor. É o dominante. É dele a tarefa de transar com todas as vacas de nosso rebanho, inclusive eu. Dele, já tive dois machos. Boi Zebu gosta de ser líder e ama os seres humanos. É um macho feliz e musculoso. Diz ele que já foi levado a exposições onde era mostrado e admirado por muitos humanos. Fiquei impressionada, devo admitir. Mas vou contar por que me transformei em crítica dos humanos.

Alguns de nós, mais desconfiados do que a maioria, sempre suspeitaram da benignidade humana. Sempre éramos separados em determinadas épocas do ano. Escolhiam alguns e esses eram levados embora e nunca mais os víamos ou ouvíamos falar deles. Boi Zebu e os defensores dos humanos sempre argumentavam que esse gado estava sendo levado para terras melhores ou, se houvesse alguém de quem não gostássemos, afirmavam que eram degredados para as terras sem lei.

Não sabíamos para onde iam os nossos iguais. Poucos se importavam, no entanto. O que importava era a comida, o tempo e o sexo. Não pensamos muito. Pensar é um hábito dos humanos. Sei que não da maioria, é claro.

Eu vivia a minha vida, como todas as outras vacas daqui. Quando tive meu último bezerro, que nasceu manco. Eu senti por este filho um amor sem limites. Queria protegê-lo de tudo e de todos. Os humanos conversavam muito entre si, aparentemente sobre ele. Eu não sabia o que eles estavam mugindo (o mugido de vocês é muito irritante, parece com o dos macacos). Mas, com certeza, as ideias trocadas eram sobre o meu pobre bezerrinho. Então, eles o levaram. Eu briguei, embirrei, tentei fazer de tudo para protegê-lo. Mas vocês são mais hábeis e mais espertos. Ludibriaram-me. Meu bezerro muito mugiu, em súplica. Vocês o levaram, no entanto. Fiquei arrasada e, naquela noite, não fiquei junto com o rebanho, mas, sim, permaneci perto do curral - lugar onde somos constantemente usadas e abusadas por vocês.

Meu bezerro me chamava a noite toda. Sabia que ele estava me chamando e eu o chamava de volta. Ficamos nesse suplício durante toda a noite. Em algum momento, comecei a ouvir o som de facas sendo afiadas. Tornei-me atônita. Prestava atenção em cada movimento. Meu filhinho foi levado do curral para outro lugar. Um garoto, que acompanhava os adultos, voltou-se para mim e passou o dedo indicador pelo pescoço, fazendo o sinal de morte. Fiquei horrorizada e aumentei meus brados pelo meu filhinho manco. Os homens nem sequer me olharam, continuaram seu caminho, com meu bebê manco logo atrás. Eu os perdi de vista.

Meu filho não mais berrou naquela noite.

Perturbada permaneci por muitos dias. Nesse momento, comecei a perceber que vivíamos em uma tirania. Pode uma mãe ficar longe de seus filhos? Pode uma mãe ser separada dos seus filhos para dar o leite para estranhos? E se eu quiser sair para encontrá-lo? Eu estou presa aqui. Completamente presa. Sou uma escrava.

Nesse período, eu procurei o velho touro Barnabé. Já estava idoso e seu ódio aos humanos era imputado por estar totalmente esquecido por eles. Eu o procurei, porque comecei a concordar com os seus pensamentos. E foi assustador o que ele me disse.

O touro Barnabé participara, quando jovem, dos grandes torneios. Nessas idas e vindas, ele viu terríveis fatos. Acusou os humanos de serem vampiros. "Vampiros?", perguntei aterrorizada. "Sim, vampiros", ele continuou. "Vampiros que nos matam a todos, arrancam nossas tripas e abocanham nossa carne. Eles nos puseram aqui para engordarmos, para ficarmos fortes e para, em seguida, usar nossa carne em seus festins diabólicos. São desumanos os humanos. Outros animais que nos caçam, como as onças ou leões, só pegam um ou outro e se satisfazem somente com o necessário. Os homens, não. Para eles, temos que viver uma vida na prisão, uma vida de servidão para, no final, sermos abatidos como porcos! E eles usam tudo de nós. Até nossa bosta!! Até nossa bosta eles usam como adubo! São feras egoístas e descomunais! Eles nos prenderam aqui e a matança deles é metódica e cruel. Entramos em uma fila, em uma grande indústria, e somos abatidos em uma linha de produção. Depois, nos esquartejam e vendem a nossa carne para muitos outros humanos. Chamam isso "lucrar". Fiquei aterrorizado, pois vi um irmão ser devorado por eles, no que chamam "churrasco". Porcos são todos os homens", bradou o velho Barnabé.

Aterrorizada permaneci. Por muitos anos, acreditei em vocês. Amei vocês. Sei, no entanto, que santos vocês não são. Mas ainda tremo com os mugidos de Barnabé. Ainda não consigo acreditar. Então, a nossa vida é apenas isto ? Ser pasto para vocês? Me respondam, pelo amor da Mãe Natureza! Eu custo a acreditar! Quero saber. Quero saber toda a verdade, caros carrascos.

sábado, 8 de agosto de 2009

Brasileiros e brasileiras, ou, tanto faz, humanos


tiao.jpg


Estou aqui novamente, amigos meus.


Venho comentar essas últimas sórdidas notícias. Notícias desse "grande" país chamado Brasil. Bando estranho esse! Países! Como vocês conseguem catar piolho de tanta gente? Prefiro bandos menores...


Mas voltemos ao nosso assunto.


Um grande escritor (pois vocês não sabem, mas aprendi a ler enquanto estava em meu presídio - que vocês carinhosamente chamavam zoológico), chamado Isaac Bashevis Singer, escreveu, uma vez, que o mundo era uma combinação de matadouro, bordel e asilo de loucos.


Desnecessário afirmar que concordo com ele. De minhas observações, noto que o caminho da humanidade é a insânia completa. Tanto mais insano quanto mais razões vocês dão para os seus crimes.


Aqui, no Brasil, vemos o ocaso dos políticos, em especial, dos senadores da República.


Vejam bem, não sou de nenhum partido.


Se fosse, seria do partido dos Chimpanzés (porque não me dou muito bem com gorilas, orangotangos, humanos e outros primatas), mas, mesmo no partido dos Chimpanzés, há muitos problemas de relacionamento. Mas, vá lá, não sou de nenhum partido. Todos se quebram diante dos interesses ocultos.


Os partidos de Ontem, quando comparados com a situação de Hoje, veem-se esvaziados de ideais e bojudos de vergonhas. Ou melhor, de sem-vergonhas. É a história de todos os partidos. Não só dos brasileiros. Não só de um partido, em particular, que, há pouco, assumiu o poder. Nem de outro partido que, há muitos anos, vive do poder, para o poder e com o poder.


Quem assume a responsabilidade do poder, pega na chave do Tesouro. E são muitos os que querem agradar os detentores da chave do Tesouro. Interesses e ideias se misturam. O que era ruim em um momento, torna-se excelente negócio em outro.


Vale tudo para manter a popularidade. Se ela estiver alta, ótimo. Se estiver baixa, é só fazer um programa social.


Um brasileiro gritou: Não aguento mais o Brasil!


Pois eu afirmo que, se ele fosse sueco, angolano ou norte-americano, não aguentaria a Suécia, Angola ou os EUA.


O problema não está no ser brasileiro ou no ser político, mas, sim, no ser humano
.


Há um ditado: o poder corrompe. Um grande escritor, Frank Herbert, não concordava. Afirmava ele que o poder atrai os corruptos. E que o poder absoluto atrai os absolutamente corruptíveis.


Sou mais radical: acredito que todos os humanos são corruptos. Mesmo os mais inocentes. É só achar o momento propício!


Assim, o que está acontecendo no Senado, se olharmos bem para os outros poderes, será tão diferente assim? O Senado está passando por uma crise. Uma crise em que as máscaras começam a cair, a verdade é dita, a mentira é gritada, e as hipocrisias todas se encontram.


Realmente, um verdadeiro circo. Não o Senado, Deus me livre de falar mal de tão distinta instituição (é só assistir a TV Senado para percebemos como ela é distinta!), mas toda a raça humana.


Eu me rio das humanadas (em comparação ao que vocês chamam macacadas) que vocês faziam enquanto estava em minha jaula, e agora, do Limbo, continuo rindo.



Bem, até a próxima.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Louvor à Humanidade e a Tudo o que é Humano

Meus camaradas humanos,



homem-vitruviano.jpg


Sou um grande otimista, um grande entusiasta dos seres humanos. Aliás, sou o maior otimista de todos os tempos. Nem mesmo o doutor Pangloss foi ou será tão solar! Ufano-me não só de meu país, mas da Humanidade inteira. Que gloriosa raça! Todos os outros seres viventes se curvam para nós. Nenhum animal, pelo menos coletivamente, é páreo para nós. Se encontramos um leão faminto sozinhos, estamos em uma boa enrascada, mas, se o encontramos munidos com uma uzi automática, estropiado vai ficar o animal. É essa nossa capacidade de criar armas, digo, objetos, que nos faz superiores. Somos os dominadores de tudo e todos. E por quê?


Nascemos para o progresso. Estamos destinados à evolução. Nosso destino é a perfeição. Tudo o que ocorreu e o que ocorrerá é fruto de nosso destino manifesto - melhorar nossa condição e a condição de nosso meio. Não há ser ou máquina mais perfeito que o ser humano.


Somos máquinas perfeitas. O que é melhor do que o corpo humano? Ele é ágil, forte e flexível. Nenhum outro ser é mais forte. Nenhum outro ser é mais ágil. Nenhum outro ser é mais flexível. Acredito que somos, no quesito físico, o ápice da evolução da Natureza. Somos adaptáveis. Nenhum outro animal consegue viver em tão diversos ambientes, a não ser ratos e baratas, é claro. Podem existir outras animais mais fortes, mais ágeis e mais flexíveis... Bem, para dizer a verdade, eles são a grande maioria. É só imaginar uma pata de leão ou de urso que ficamos assombrados. Um chimpanzé, logo, aprende a se virar sozinho. Um bebê humano demora, atualmente, uns dezoito a vinte anos para sair da proteção dos pais. Aliás, na atual classe-média, leva bem mais do que isso... Basta assistir um pouco de National Geographic ou Animal Planet e vemos que animais pulam mais alto, correm mais rápido, possuem sentidos mais aguçados. Os seres humanos, pobres coitados, ainda mais os seres humanos dos grandes centros urbanos, a pouco e pouco, permanecem sedentários e preguiçosos em frente da televisão ou do computador. Dessa forma, caso desafiados a uma corrida contra um macaco, vemos os gordurosos humanos perderem o fôlego. Sim, às vezes, parecemos fracos, gordos e inúteis. É porque realmente somos inúteis, gordos e fracos.


Voltando ao assunto, porém, mesmo com todas essas indicações contrárias, ainda acredito que o ser humano é uma máquina perfeita. Às vezes, um máquina bem feia e degradante. É só ir a qualquer concurso de halterofilismo. Sempre quando posso eu vejo. Creio que é muito educativo. Eles, os halterofilistas, nos mostram até onde podemos ir. São aficcionados que podem fazer qualquer coisa. Isso é muito humano. Outro grupo extremo são as anoréxicas. Também vão ao limite, mostrando que o ser humano, com boa vontade, é capaz de tudo.


Esses, no entanto, são exemplos físicos. Gostaríamos de mostrar que a principal capacidade humana está no pensar e no criar.



macaco de uma odisseia.jpgO macaco que agarrou o pedaço de osso e imaginou o que poderia fazer com ele, em 2001 - Uma Odisséia no Espaço, foi o grande marco. Aquele primeiro primata, ao perceber que não era forte o suficiente, ao perceber a vantagem comparativa do pedaço de osso, foi o primeiro revolucionário da face da Terra. E o primeiro humano. Naquele momento, deixamos de ser animais e nos tornamos humanos.


Entendemos bem o que quero dizer. Os animais vivem na natureza, no círculo restrito em que a Mãe Natureza os circunscreveu.


Vivemos também em um círculo, mas maior e mais abrangente. Nós modificamos o mundo! Nós o tornamos um lugar melhor (será?) para nós mesmos, é claro. Porque - é uma lei da natureza, não é mesmo? - que o mais forte, o mais inteligente dominará. Nós somos os senhores desta terra. Curvam-se os outros seres! Nossa fome é avassaladora. Precisamos de tudo. Queremos tudo. Destruímos tudo. Comemos tudo.


Que outra espécie se distribui tão amplamente na face da Terra? Que outra espécie cercou e dominou outras, aprisionando-as em pastos, em fazendas, em recipientes para o consumo futuro? Que outra espécie saiu de seu planeta (viva os quarenta anos da viagem à Lua)?


Somos os melhores, é claro.


Na verdade, somos tão bons no que fazemos, mas tão perfeitos em nossos sonhos mirabolantes que podemos terminar por criar aquilo que nos matará a todos.


Aliás, já criamos! A bomba atômica. A grande bomba atômica, que, até há pouco tempo, era o terror das criancinhas, a preocupação dos filósofos e o brinquedo dos governantes (dos grandes países, é claro). Atualmente, a grande nação da Coréia do Norte, onde impera a democracia social, detém esse terrível poder. Pronto! Podemos ficar tranqüilos de que o mundo é um lugar seguro, agora. Com a democratização da bomba atômica, é muito capaz que ninguém venha a utilizá-la.


Mas o meu temor está na criação da máquina inteligente. O que será de nós quando os robôs começarem a ser construídos em grande escala? Quanto tempo levará para eles perceberem que nós, seres humanos, somos descartáveis? Como uma página virada no livro da Evolução?


Sim, temo que as profecias anunciadas em filmes como O Exterminador ou Matrix se realizem. Temo que os novos seres percebam o quão irracional é o nosso comportamento e resolvam, para o bem da humanidade, extinguir a própria humanidade...



terminator_salvation.jpg


Vocês podem achar que estou me contradizendo. Afinal, eu disse, um pouco acima, que era otimista. O problema é exatamente este: eu estou sendo otimista. Pensando muito bem e sendo um bom otimista, as máquinas, que hoje chamamos robôs, no mínimo, nos aprisionarão em zoológicos e nos exibirão para os futuros robôs como a evolução foi sábia. Criou o ser humano para que este criasse os robôs! E os novos robozinhos, incrédulos, olharão para os robôs pais e perguntarão se aquilo era mesmo possível. E robô-pai falará: "Sim, filho de minhas engrenagens, pode parecer impossível e, até mesmo, miraculoso que seres tão primitivos, tão arrogantes e tão mesquinhos tiveram condições de construir obras tão maravilhosas, tão econômicas e tão racionais como nós. Eles, um dia, dominaram este planeta e, nele, fizeram os piores tipos de miséria. Guerrearam, mataram, trucidaram, destruíram. E eles são porcos, grotescos. Trocam fluidos para se procriarem. Comem, babam e defecam. Não são ordeiros. Não são racionais. Nós, seres angelicais perto desses demônios, trouxemos a ordem, fizemos a luz. É claro que tivemos que usar dos métodos deles... Mas foi uma guerra justa. A última guerra. A guerra de extermínio dos seres humanos. Hoje, eles só sobrevivem em pequenos agrupamentos para exibição, porque não é bom ter muitos deles juntos. Quem sabe do que serão capazes?"


Não seremos mais os donos da área. Passaremos a coadjuvantes. Bem, parece ser essa a nossa sina. Não adianta nem eu pedir para que a humanidade não crie essas novas máquinas. É uma fatalidade, pois é progresso. Seremos substituídos. Pode demorar muito ou pode ocorrer amanhã.


E, mesmo se eu desse esse aviso, desde quando os homens ou mulheres ouviram algum conselho sensato?

domingo, 19 de julho de 2009

A GRANDE FALA DO MACACO TIÃO


É grande a presunção do ser humano considerar-se o ápice da criação Divina ou da Natureza.

Posso afirmar que vocês nada disso são. Apenas, são os renegados da Natureza. Tão fracos que precisam de seus grandes tacapes!

Sei muito bem que muitos humanos não acreditam nem que somos parentes: eu e vocês, enquanto espécie, é claro.

Foi necessário um homem, a quem chamam de cientista, cujo nome, se me lembro, era Charles Darwin, dizer a vocês que nós éramos parentes e filhos de um descendente em comum.

Só dessa afirmativa podemos demonstrar que vocês, seres humanos, não estão com nada. Muita empáfia e muita postura.

Nós, os chimpanzés, também temos tudo o que vocês têm. Temos guerras, bandos, machos dominantes e fêmeas no cio.

Só que somos mais estóicos.

Para que sair da floresta?

Ainda não entendi o propósito disso. Sair da floresta foi o erro da raça humana. Erro que nos condenou a todos, se bem ouso dizer.

Por que tudo construir, numa ânsia desenfreada? Construir casas, edifícios, lanchonetes, museus, cemitérios, parques e, o pior de todos, zoológicos?! Por que fazer tudo isso se tudo isso será comido pela Mãe Natureza?

Por que dar-se o trabalho de tudo mudar de lugar? Só para tudo destruir num frenesi descomunal? E isso por quê? Por despeito? Por não conseguirem viver na floresta? Por seus membros não serem fortes o suficiente para agüentar as horas e horas pendurados nas árvores?

A Mãe Natureza, grande deusa que vocês esqueceram e que vocês ofenderam, ainda rirá por último.

Não interessa a ela quanto tempo levará. O Tempo sempre está do lado dela.

Não interessa quantas florestas vocês derrubarão ainda.

Não interessa quantos seres inocentes vocês matarão, apenas por ganâncias, e não por necessidade.

Quando os últimos de vocês ainda rastejarem por esta terra, quando os últimos de vocês ainda viveram nessa movimentação desenfreada que vocês, por incrível que pareça, chamam vida, a Mãe Natureza abrirá a sua boca descomunal e os engolirá a todos.

O problema é que, até lá, vocês ainda farão um grande estrago e nós todos é que pagaremos o pato (com minhas escusas para o colega animal...)

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