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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Reforma Política Revisitada ou Laranja Mecânica para os Nossos Nobres e Honrados Políticos

Podemos observar certo marasmo em torno da questão da gloriosa Reforma Política. Depois de tantos casos de corrupção, creio que seria a reforma a ser implementada. No entanto, os políticos parecem discordar de mim. Ou melhor, todos concordam com uma reforma política, mas qual reforma ainda é um caso a se discutir, não é mesmo? Vocês mesmos podem ver que tratei bastante desse assunto em meu arquivo de textos (sobretudo aqui, aqui e, ufa!, aqui). Algumas propostas ainda não foram devidamente testadas, como o Big Brother de Políticos, mas eu, depois de muito deliberar comigo mesmo no silêncio da noite e na solidão da loucura, cheguei à triste conclusão de que, mesmo com toda a vigilância possível e impossível, mesmo se instalássemos um microchip no cérebro do homem político para registrar todas as suas ações e pensamentos, ainda assim poderíamos ser ludibriados pelo nosso ilustríssimo representante. Justo dizer que os nossos políticos mostraram-se em todas essas décadas de renovada democracia grandíssima habilidade na arte de furtar e de enganar.

Dessa forma, precisamos de uma reforma mais radical. Precisamos entrar na psique mesmo do político e inibir, de dentro para fora, a corrupção.

domingo, 15 de abril de 2012

Proposta para acabar com a Corrupção no Congresso Nacional

Os últimos acontecimentos têm nos deixado estarrecidos. Mais um caso de corrupção no Congresso Nacional! A relação de Carlinhos Cachoeira com políticos está sendo um tsunami no meio político. Aparentemente (e devemos tomar cuidado com o que dizemos, pois Carlinhos Cachoeira tem um excelente batalhão de advogados...), Cachoeira corrompeu a torto e a direito, a tudo e a todos, políticos do DEM, do PSDB e do PT. Mas o que é isso?! Os corruptos não obedecem a nada, nem, ao menos, à filiação partidária. Eles corrompem quem estiver pela frente, ou melhor, quem estiver, de preferência, no poder. Só respondem a um deus, ao deus do Dinheiro, e corromperiam até a mãe se a mãe estivesse no cargo de prestígio.

O último caso nos deixou estarrecidos, mas também indiferentes. Estamos enojados, mas – e pior – acostumados! Sentimos o fedor, o fedor nos incomoda, mas não lembramos mais quando o ar era límpido. É difícil admitir mas não acreditamos mais em políticos honestos!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Proposta para o Casamento Homoafetivo

Meus prezados, como somos bem informados, sabemos que a união civil entre pessoas do mesmo sexo ou uniões homoafetivas foram reconhecidas pelo Supremo Tribunal Federal em uma decisão histórica. É claro que tal decisão foi um grande avanço dos direitos dos homossexuais e, por conseguinte, no direito de todos nós, mas a união civil, apesar de praticamente abranger todos os aspectos do direito civil e familiar, não é ainda o tão sonhado direito de se casar. O casamento, ato em que solenemente duas pessoas se unem para formar uma família, ainda está longe das mãos dos homossexuais. Enquanto os heterossexuais podem usufruir as benesses (e malefícios...) do casamento, isso está fora do alcance dos homossexuais.

terça-feira, 10 de abril de 2012

A Fúria das Torcidas ou Uma Explicação (nada…) Filosófica sobre uma Paixão

Tornou-se um pouco rotineiro torcedores se matarem por causa de seus times, ou mesmo ameaçarem jogadores por não estarem se empenhando devidamente (segundo eles), ou ainda atos de vandalismo quando o tão amado time perde ou perde de forma vergonhosa. Não podemos duvidar do poder irracional (alguns diriam emocional) que o futebol evoca no povo brasileiro. Claro que é totalmente irracional. Os torcedores, por meio da catarse, vivem e sofrem, choram e gritam, vibram e se desesperam de acordo com o resultado de uma partida de futebol.

E para quê? Para nada, obviamente. Ou melhor, para matar o tempo.

domingo, 2 de outubro de 2011

Macaco Tião volta e ataca: humanos ou animais?

Vocês são todos testemunhas que eu, um macaco defunto, vez ou outra, faço minha voz soar do além para dizer algumas verdades para vocês, humanos.

Muito me indigno, no entanto, quando vocês, humanos, nos desdenham a nós, primatas superiores a vocês!

Bem sei que há muito Jane Goddal mostrou em seus espetáculos televisivos que somos também destrutivos, aguerridos, conspiratórios e, enfim, bem mais humanos que os outros animais. Aliás, já comentei sobre isso neste blog ínfimo, logo aqui.

Mas vocês ainda vêm com o disparate de nos chamar de humanos? De nos comparar com vocês, bichos destruidores e maléficos?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Louco, eu? De forma alguma… ou o Experimento Pangloss–parte II

Doutor Pangloss gritava:

“Me tirem daqui! Eu não sou louco! Era tudo faz de conta, tudo parte de um experimento! Eu exijo que me tirem daqui, seus desgraçados!”, e doutor Pangloss bufava, babava, batia as mãos na cabeça, caía no chão.

“Vê-se bem que o doido não tá doido”, disse a enfermeira para o enfermeiro.

“A primeira coisa que eles dizem é que não são doidos”, disse o enfermeiro para a enfermeira.

“Mas eu não sou doido. Eu sou um respeitado pesquisador de psicologia. Eu sou o eminente doutor Pangloss!”

“O seu colega da esquerda pensa que é Napoleão Bonaparte'”, disse a enfermeira.

“O da direita ora diz que é Lula, ora que é FHC. Realmente um caso muito interessante”, disse o enfermeiro.

“Mas eu não sou louco! Eu não sou louco”, esbravejou com fúria doutor Pangloss, o que deixou Lula/FHC ou FHC/Lula e o pobre Napoleão nervosos e agitados. A enfermeira olhou para o enfermeiro e este percebeu que era hora de dar o mata-leão no pobre doutor Pangloss. Este ainda tentou contra-atacar, mas o enfermeiro o agarrou enquanto a enfermeira injetava na veia o doce tranquilizante. E doutor Pangloss caiu em um sono sem sonhos…

domingo, 25 de setembro de 2011

Louco, eu? De forma alguma… ou o Experimento Pangloss–parte I

Tratava-se de um experimento revolucionário em terras tupiniquins. Não que já não tivesse sido realizado em outros países, sobretudo nos ditos países de primeiro mundo, mas, para o Doutor Augusto Pangloss, esse experimento seria um divisor de águas na psicologia brasileira, tal como Moisés foi um divisor de águas na história da humanidade. Vá lá, leitor, talvez nosso doutor Pangloss estivesse um pouco entusiasmado com a experiência e, com isso, a considerasse em termos tão vastos e grandiloquentes, mas quem de nós pode julgar o valor de uma experiência antes mesmo que ela seja realizada? Quem de nós pode julgar despropositada uma experiência de um visionário? Quem de nós pode julgar a sanidade ou insanidade de um renomado cientista que, por vezes ou, aliás, quase sempre, é visto como louco pela sociedade? Não seria a própria sociedade que é louca e o cientista, filósofo ou artista, o único são? Mas isso são considerações que atrapalham o pensamento do cientista, segundo o doutor Pangloss. Temos que ser frios e objetivos, repetia o doutor.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Humanidade: exercício de futilidades…

A humanidade é o ápice da criação, certo? Somos os seres mais evoluídos de que temos conhecimento e Deus nos fez à sua imagem e semelhança, não é mesmo?

Bem, vai lá estudar um pouco o comportamento humano. E também história, caro leitor.

Claro, claro, não estou acusando você, leitor, de ser um arrematado canalha. Lembra-se de Hamlet? Somos todos arrematados canalhas? Ah, não leu Hamlet? Viu o filme do Mel Gibson? Tudo bem…

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Marcha em Prol da Corrupção

O Deputado Tomás Armando Mutretas está de volta e com outra polêmica proposta. Tendo em vista os recentes ataques a seu corrupto portfólio, o venerável deputado quer fazer uma Marcha em Prol da Corrupção.

“Vocês vejam bem”, argumenta o deputado, “que a corrupção é o estado natural do homem. Ele não foi expulso do paraíso? Ele não comeu a Eva… digo, o fruto proibido? Pois então! Temos que deixar de ser hipócritas e assumir de vez o nosso lado corrupto! O progresso e a ordem vão agradecer!”

sábado, 27 de agosto de 2011

A Defesa da Bomba Atômica – parte II

Eu: “Conforme prometido, continuo a minha defesa da bomba.”

Leitor: “Tá, tá. Já sei. Não dá para entrar no seu argumento logo?”

Eu: “Calma, leitor. Só peço um pouco de paciência…”

  O Mundo Depois da Bomba

Vocês conhecem que o argumento dos EUA para terem usado a bomba em Hiroshima e Nagasaki era forçar uma rendição do Japão? No argumento, os americanos dizem que eles pouparam vidas (norte-americanas, bem entendido…), pois a esperança japonesa era matar tantos americanos quanto pudessem para, por sua vez, poderem negociar um tratado de paz mais palatável a seu gosto. Também tinha aquele negócio samurai de que japonês não perde nunca, que é melhor morrer que perder, que, se perder, o negócio é se matar…

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A Defesa da Bomba Atômica– parte I

O que era a pólvora? Trivial. O que era a eletricidade? Inexpressiva. Essa Bomba Atômica é o Segundo Advento em Ira!
Winston Churchill
Isso mesmo, leitor. Você não leu errado. Trata-se aqui da defesa da bomba atômica (e não sobre a defesa contra a mesma)– esse dispositivo tão atacado, tão difamado e tão odiado pela intelectualidade, pelos ativistas e pelo homem normal (com exceção, claro, dos militares, dos políticos e do Ahmadinejad…). Sim, meus leitores queridos, eu vou defender com o frio raciocínio que a bomba atômica foi um avanço para a humanidade e, mais do que isso, uma garantia para a nossa existência. Paradoxal, não é mesmo, leitor? Mas aqui, neste blog, sempre defendemos o uso do frio raciocínio paradoxal.
(E deixemos, claro, de lado essas questões menores de quem roubou quem na política brasileira, ou ainda e em menor magnitude, na política de qualquer país!)
Se o leitor se dispuser a ouvir meus argumentos sem preconceitos, a colocar a mão na consciência e refletir sobre nossa (mal)dita condição humana, eu creio que o leitor perceberá, sim, que a bomba atômica nos salvou. A nós, enquanto humanos, e a todos os seres viventes deste planeta (bem, sobretudo aqueles que ainda não dizimamos…). O leitor, ainda em choque com meus argumentos, pode partir de duas hipóteses: ou o presente escriba é um louco (e eu não nego veementemente que não esteja louco, porque sei, de antemão, que a primeira coisa que os insanos fazem é negar veementemente que estejam loucos…) ou o presente autor é um piadista. Eu, enquanto objeto de análise, não declaro nada, pois não sou autoridade no assunto. Deixo tudo para o leitor. Se louco ou piadista, é com você leitor e sua capacidade intelectual. O leitor mais fino e irônico notará que uma hipótese não exclui necessariamente a outra…

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Pessimista Radical e O Otimismo Psicótico

Claro para ser pessimista é preciso ser radical. É preciso ser pessimista até o fundo da alma (se você acredita em alma, tudo bem! Caso contrário, é figura de linguagem!). O cara não pode ser pessimista quando está chovendo e otimista quando está sol. Tem que ser pessimista sobretudo quando o dia está ensolarado. O dia ensolarado é uma conspiração cósmica para afirmar que a vida é boa. A vida é boa, meus caros, mas depende das condições de temperatura e pressão. A vida é boa, o pessimista radical pode afirmá-lo, mas a vida boa é muito precária. Qualquer alteração nas condições e adeus vida boa! A vida é boa, o pessimista radical terá a coragem de dizê-lo, mas o comum é a vida miserável, a vida miserável em todos os seus matizes, desde a vida miserável dos pobres à miséria moral dos ricos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Partido dos Sem-Vergonha

Tomás Armando Mutretas retorna aqui para declarar a inauguração do novo partido político brasileiro. O partido dos Sem-Vergonha. Com a palavra sua excelência, Tomás Armando Mutretas:

“Meus caros colegas, venho hoje aqui com muita alegria convocar todos os nobres cidadãos e cidadãs do Brasil para a criação do que será e do que já é o maior e melhor partido do Brasil, o Partido dos Sem-Vergonha!

“Sim, nós, sem-vergonhas, não ficamos propriamente dentro dos armários, como nossos colegas homossexuais, mas ficamos muito tempo na escuridão, na moita e na artimanha. Usávamos de subterfúgios vis para esconder nossa condição de mau-caráter. Quando alguém nos acusava em plenário que éramos uns sem-vergonha, ficávamos indignados (ou fingíamos indignação, melhor dizendo), entrávamos com processos de calúnia e difamação, para que nosso eleitorado continuasse votando em nós. Mesmo que nossa sem-vergonhice chegasse a extremos como, por exemplo, quando possuímos não só amantes fora de casa, mas verdadeiros haréns, ou quando usávamos o dito dinheiro público para os nossos privadíssimos interesses, nós tínhamos, é verdade, a cara dura de afirmar, pela nossa mãe mortinha, que éramos inocentes. Os menos hipócritas afirmavam apenas que todo mundo é inocente até que se prove o contrário…

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Quer atingir o Nirvana? Pega um carro e encare o trânsito…

Meus amigos, por natureza, sou um cara pacato, tranquilo e do bem, como dizem por aí. Se me xingam na rua, eu penso: “Talvez, eles tenham razão…” Se me esbarram enquanto sossegado faço o meu caminho, eu penso: “Puxa! Que chato! Eu fiquei no caminho deles. Peço desculpas”. Se me respondem atravessado quando peço alguma orientação, eu penso: “Vai ver ele ou ela está estressado ou estressada. Outra hora eu peço uma orientação mais condizente…” Então, eu sempre mantenho paciência quando estou a pé. A pé, caminhando, com meus pés empurrando o chão, minha panturrilha começando a queimar, eu sou o cara mais pacato, do bem e tranquilo do mundo. Mas quando eu pego um carro…

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Quem é que tem moral?

O político Tomás Armando Mutretas, que já tinha dado sua contribuição sobre o tema de Ficha Limpa x Ficha Suja aqui, voltou com esse discurso único. Ele, diante das diversas acusações contra políticos de seu partido, Partido Governista a Qualquer Custo, ou PGQC, ou simplesmente Partidão de Todos Que Querem Se Dar Bem, o PTQQSDB, políticos esses que participaram de esquemas de pagamento de mesadas, o Mesadão, e outras irregularidades e que agora, depois de um tempo afastados, estão de volta ao partido.

Vamos ao discurso do excelentíssimo deputado Tomás Armando.

Senhor Presidente, senhores deputados e senhoras deputadas, venho aqui hoje para expressar a minha mais ultrajada e indignada estupefação diante das acusações contra meus nobres e estimados colegas de partido. A imprensa, sempre contra nós, pobres políticos, a imprensa, essa máfia de inescrupulosos  jornalistas, a imprensa, que sempre me atacou e nos atacou, mas me atacou de forma pessoal e totalmente injustificada, afirmando que eu tinha desviado verbas para pagar a casa de uma suposta amante… Enfim, já estou meio perdido com meu discurso, por causa da emoção, do transtorno e do ódio. Mas tudo bem, nobres colegas. Eu quero dizer que essa maldita imprensa agora vem atacar meus nobres colegas de partido que haviam sido injustamente acusados do MESADÃO!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Diálogo entre um otimista e um pessimista

Otimista – Você viu, meu caro, que o STF aprovou a união estável entre pessoas do mesmo sexo. É um grande passo para o Brasil. Para acabar com o preconceito.
Pessimista – Pode ser, mas eu acho que não.
O – Por que não, meu amigo? Agora casais homossexuais têm os mesmos direitos de casais hetero…
P – Tudo bem. É um avanço, mas acho que o preconceito não vai acabar não. Talvez até aumente.
O – Meu caro amigo, creio que você tenha uma visão muito pessimista da vida...
P - Se você tá dizendo...
O – Eu acho que o preconceito vai acabar sim. Por exemplo, o Congresso vai votar a lei contra a Homofobia.
P – No congresso? Bem, lá essa lei não passa. Já viu como tem uma bancada extremamente retrógrada.
O – Então que eles façam uma consulta popular…

domingo, 11 de julho de 2010

A Grande Privada Pública continua…

Em uma matéria na última edição da VEJA, comentou-se sobre o recorrente problema do ato de urinar em público. Ora, os homens (e algumas mulheres, conforme já presenciei de fato) muitas vezes se aliviam publicamente, transformando o espaço público em uma tremenda privada. Foi o que alertei, há quase um ano, no meu post Privada Pública ou Consideração Filosófica sobre a Grande e Pequena Corrupções, no qual narrei alguns fatos e um pesadelo muito estranho que me atemorizou. O fato é que a urina pública é uma afronta aos princípios básicos de higiene, de etiqueta e de respeito. Respeito não só com o próximo, aquele que poderia passar no exato momento do ato de urinar ou que passará depois quando o fedor de amônia for insuportável, mas também respeito com o bem público – e sobre isso talvez me explique em outro post.
Estava andando pelas ruas de minha cidade – minha na medida em que nela vivo – quando me deparo com um homem de idade respeitável urinando encostado em um muro. Resmunguei um pouco, mas o velho virou a cara para mim e piscou o olho direito. Que fazer? Continuei o meu caminho. Na mesma semana, eu o encontrei novamente e novamente o infeliz estava urinando, agora próximo a um poste. Os horários dos encontros eram os mais variados. Na primeira vez, foi bem de manhã, eu estava indo dar aquela caminhada matinal. Na outra, foi perto das sete da noite e, dessa vez, ele estava, mais ou menos, escondido. Fora o fato de urinar em público, notei que o homem, já com seus cabelos brancos, demonstrava a maior seriedade e respeitabilidade. Percebi que se tratava de um homem que perdera o juízo. Tive a certeza quando ele, na terceira vez que nos encontramos na praça principal da cidade, me contou o seu credo político.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Copa do Mundo: Grandes e Pequenas Ilusões

(Atenção! Se você procura um post em que se esculache a seleção brasileira e o técnico Dunga, vá procurar em outro lugar. Não os defendo e nem os acuso. Este post foi escrito antes da derrota brasileira e possui um intuito, digamos, “filosófico”)
Há pouco tempo, escrevi um post sobre a Copa do Mundo, intitulado A Copa do Mundo ou a Grande Preparação, no qual eu, em breves linhas, defendia que a copa do mundo de futebol ou, se você for um leitor norte-americano, de soccer ou qualquer outro grande evento esportivo serve para um escape de nossas tendências bélicas e, ao mesmo tempo, para uma preparação para guerra. Se quiser ler essa pérola, vá lá, leitor.
Só o cito demoradamente, porque, em determinado momento do post, eu, em minha auto-ilusão, afirmei que ganhar ou perder a copa do mundo pouco ou quase nada significaria em nossa mínima vida cotidiana. Em meu argumento, ganhar a copa significa muito para os jogadores, a comissão técnica e seus patrocinadores. Mas um amigo, que não gosta muito de internet e que leu meu texto depois de muita insistência minha, comentou essa passagem do seguinte modo:
"Não interessa se a vitória ou a derrota realmente significa pouco para nós, torcedores. Significa muito, pois acreditamos que significa muito. É uma ilusão, mas as ilusões são reais para quem acredita nelas."

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Justiça é boa... para os pobres criminosos


Vivemos em um Estado Democrático de Direito e, sob a égide da justiça, sob o seu escudo protetor, deveríamos viver a nossa minúscula vida de cada dia. Deveríamos ter a consciência de nossos direitos e deveres, deveríamos respeitar as leis, deveríamos viver em harmonia e paz com os nossos semelhantes (e, com isso, não haveria necessidade das leis e de legisladores), deveríamos viver nossa minúscula vida de cada dia sem estresse e sem temor. Sem o medo constante de ser esmagado por outro ser humano. Mas, ai de nós!, a nossa pobre condição humana está cercada de perigos e monstros por todos os lados, sendo o maior monstro o próprio homem (e mulher também, preste atenção!, não sou machista!). Sim, eu sei que há perigos que não são humanos, como terremotos, maremotos, raios, aquecimento global (espera, mas esse não fomos nós que criamos?...) e a fúria dos deuses. Contra esses males, pouco ou nada podemos. Mas o mais insidioso mal, aquele que merece o nome de mal, é o mal do próprio ser humano. E, contra esse mal, o homem sempre se dirigiu à Justiça.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Volta do Macaco Tião e O Buraco da Deepwater Horizon

Meus nobres humanos,

Chamo nobres por simples e puro respeito, já que eu, como macaco, sou um sujeito respeitador e de bons costumes, muito embora eu tenha jogado em vocês minha urina e minhas fezes misturadas à lama de minha jaula. Fiz isso simplesmente para divertir vocês, pois, quanto mais eu jogava, mais vocês riam.
Informo que estou de volta.
Fiquei muito tempo calado aqui no limbo dos primatas.
Enquanto vocês destroem este planeta, enquanto vocês poluem cada vez mais esta rocha chamada Terra, enquanto vocês consumem tudo em nome de seu progresso econômico.
Sim, eu venho denunciar a nefanda destruição que vocês, humanos seres, estão concretizando neste terceiro planeta do sistema solar.
Não adianta vocês me afirmarem que precisam do crescimento econômico para manterem seus empregos, para manterem seu nível de vida, para manterem as inumeráveis futilidades de sua vida!
Sim, a vida de vocês, humanos, é fútil.
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