quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Muntadhar al-Zaidi: o homem que jogou os sapatos em Bush

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Vivemos em um mundo de liberdade e igualdade, não é mesmo? Em uma era de prosperidade e de fraternidade! Quando ligamos os nossos fabulosos aparelhos de tv, navegamos em nossos computadores ou quando lemos nos volumosos jornais, ficamos impressionados com a vasta quantidade de notícias sobre a generosidade e bondade humanas. Percebemos que o mundo realmente está caminhando para uma nova era de paz e de fraternidade... Ah, como é bom ser humano neste início de milênio!

domingo, 13 de setembro de 2009

Sarney: um exemplo de perseverança

Depois de ter sido atacado por todos os lados, depois de ter levado um cartão vermelho do Suplicy, depois do tsunami de acusações, depois de terem arquivado todos os processos (e não terem dado chance de defesa ao grande Sarney), depois de todos os pedidos para renunciar à presidência do Senado, Sarney pode ser considerado um exemplo cabal de perseverança.

Ora, ele é brasileiro e brasileiro não desiste nunca!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Da Necessidade dos Jogos

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Em meu penúltimo post, falei sobre a necessidade da guerra, o que muitos amigos meus podem considerar uma blasfêmia. Mas comentar sobre a necessidade dos jogos, apesar de não suscitar tamanhas dúvidas, é, ao mesmo tempo, simples e complexo. Além disso, este escriba, apesar de parecer temerário, crê ser possível traçar um paralelo entre os jogos e as guerras.

Por que jogamos? Por que assistimos jogos? Por que paramos tudo para ver vinte dois homens em um combate para colocar a bola no gol do adversário? O que nos faz aguardar ansiosos essas partidas, esses jogos? Por que, enfim, chegamos a sofrer por eles?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Por que me ufano de meu país

Nesse 7 de setembro, só há motivo de felicidade!

Nem mesmo Afonso Celso foi capaz de imaginar um futuro tão grandioso para o grandioso Brasil.

Pois aqui canta o sabiá, aqui sou amigo do rei, aqui muito petróleo no pré-sal tem!

Eu ainda não entendi, nem vou entender, por que tanto alarde está sendo feito do petróleo do pré-sal. Parece que já estamos extraindo e vendendo com grande lucro esse petróleo para todos os países do mundo. E se alguma coisa der errada? E se não conseguirmos tirar esse petróleo das profundezas do pré-sal? E se custar muito? E se não tiver nada? Ou menos do que clamam ter? Bem, deixemos essas perguntas para lá. Nossos líderes parecem ter pensado nisso tudo, não é mesmo?

Da Necessidade da Guerra(?)



Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

Quincas Borba, grande filósofo


A guerra é necessária ou é apenas uma discrepância do comportamento humano? Essa é uma questão filosófica, amigos! Pois, no bojo dela, vai lá, escondida, subterrânea, ocultada, a questão da bondade e maldade humanas. Se somos seres irremediavelmente maus e terríveis (não importa aqui o porquê, mas, sim, que somos maus), como na maior parte do tempo somos, então a guerra, o estupro, o assassínio, a escravidão são fatos normais de nossa realidade. Agora, caso sejamos intrinsecamente bons e fomos desvirtuados pelo pecado original, Diabo, capitalismo, má educação ou acaso genético, então devemos consertar o que está errado, tomar o rumo certo e sermos felizes para sempre.

Essas duas teorias ou visões do ser humano são as extremas, a do mal e a do bem, mas outras há em que se considera o ser humano, às vezes, bom e, outras, ruim (e muitas, péssimo!). Podemos chamar essa última teoria de mista do ser humano(como sempre há nesses casos, não é mesmo? Seria a tal da tese, antítese e síntese? Ou meio-caminho? Ou o estar-em-cima-do-muro filosófico). E poucos a professaram, pelo menos, abertamente.

Disperso-me, no entanto. Em outro post, continuo tema tão interessante. Nesse, especificamente, falo sobre a guerra. E a guerra como necessidade. Mas que tipo de necessidade seria esta?

A opinião comum e politicamente correta não somente afirma que a guerra é um erro inenarrável e uma afronta à moral e à ética, por matar milhões de seres humanos (sem contar nossos pobres amigos animais...), mas também que é responsável pelo descalabro da máquina econômica, prejudicando os bons negócios do libérrimo capitalismo. Esses argumentos encontram-se espraiados em ampla literatura e nos meios de comunicação. Podemos afirmar que surgiu com o advento da moderna democracia e dos então revolucionários meios de comunicação, que prometiam alterar o mundo para melhor, é claro, e que, por um momento, pareciam ter alterado mesmo.

Depois da Primeira Guerra Mundial, que não tinha esse nome, pois ninguém imaginava uma segunda, os europeus, por terem sofrido anos e anos de carnificina humana perante às máquinas de destruição, comandadas por humanos, obviamente, enfim, os europeus ficaram chocados com esse tipo de guerra. A guerra da era moderna. A guerra das máquinas contra a carne. A guerra química. Antes, na época de Napoleão, de César, de Crommwell, a guerra era um fato mais aceitável e, em muitos casos, venerado. Matar com espadas - enfiar a lâmina na viva carne humana para rasgar e trucidar - não era pior que matar com o moderno armamento de fogo, ou seria? É só assistir aos filmes de Mel Gibson, em especial Coração Valente, para perceber que as guerras de lanças e espadas eram muito mais civilizadas do que as atuais.

No entanto, nesse meio tempo, entre a Revolução Francesa e a Primeira Guerra, houve a revolução industrial e tecnológica. Enfim, o capitalismo triunfou. E o cálculo matemático dominou os generais. Ou melhor, o cálculo econômico. (Um amigo meu, mais erudito e esperto, me afirma que sempre foi assim. Quem tinha como financiar as guerras a longo prazo, é que levava as batatas para casa. Citou até um livro, A ascensão e queda das Grandes Potências de Paul Kennedy - e eu fiquei assoberbado com minha ignorância...). E, com o cálculo econômico, as considerações de como matar com o menor custo - e suas aplicações imediatas. A metralhadora foi um bom avanço nesse sentido, e os cientistas que a fizeram pensaram haver construído a arma perfeita. Ledo engano. Muito ainda pode se aperfeiçoar nesse sentido. É só assistir no National Geographic.


Mas, depois que a máquina entrou no jogo da guerra, os conflitos perderam o glamour inicial. É só ver no Último Samurai de Tom Cruise. Assim, os cidadãos, tementes a Deus, quiseram banir a guerra como forma de resolução de conflitos. Leiam a Carta das Nações Unidas e verão que o mundo seria um lugar muito melhor se todos se resignassem e obedecessem os EUA... Não seria um mundo bem mais simples? Pelo menos, para os norte-americanos.


Também creio que, com a criação da bomba atômica (ai de nós, por Nagazaki e... como era mesmo o nome da outra cidade?), os seres humanos pensem bastante antes de começar uma nova guerra. Pelo menos, contra alguém que tenha a bomba. Se vocês tiverem e o outro não, pensem bem de quem é a vantagem.


E a Segunda Guerra foi causada por um homem, Hitler, que via na guerra a própria essência de evolução da espécie. Se os outros, sobretudo os ingleses e norte-americanos de então, acreditavam fielmente que poderiam evitar a guerra, dando de graça o que Hitler queria, como é que não perceberam que Hitler estava disposto a conseguir mais tirando à força? Só um Churchil, talvez... Quando os pacifistas ingleses viram que teriam de aturar uma ditadura alemã, os brios nacionalistas fizeram muito deles pôr entre parêntesis suas crenças e aderir à guerra. Pois, no jogo diplomático internacional, ninguém quer ficar por baixo, mas só por cima. Nem mesmo os homens tementes a Deus.


Pois, foi um homem temente a Deus, da Nação defensora da democracia, que iniciou uma guerra. De George Bush podemos falar horas e horas a fio. Já o fizemos grande líder da humanidade, em um post anterior, mas, desse grande líder, não podemos duvidar que era um homem muito inteligente e modesto.


Pois, vejam bem, o argumento que usou para iniciar a guerra no Iraque foi, ao mesmo tempo, brilhante e simplérrima. Você está na sua casa quieto, mas sabe que tem um inimigo. Você sabe que tem um inimigo e, por isso, tem um arsenal inteiro de armas em sua casa. Você, aliás, já deu uma surra nesse seu inimigo por alguma desavença anterior. O inimigo diz para você que não está produzindo ou comprando arma nenhuma. O inimigo diz que não tem intenção nenhuma de atacar você. Mas como acreditar no inimigo? Melhor mesmo acertar uma paulada na cabeça dele antes que ele acerte na sua. Está aí, meus amigos, a teoria da guerra preventiva. Melhor prevenir do que remediar... Mas o Saddam não tinha as armas de destruição em massa? Bem, detalhes... E, se não tivesse, poderia ter, não é mesmo? Por essas e por outras, é que Bush pode ser considerado um dos grandes líderes da humanidade.


Assim, também o argumento de que a guerra pode ser maléfica para a economia carece de fundamento. Pode ser prejudicial para parte da economia, mas, para a economia como um todo, muito pelo contrário. Basta recordar que a Alemanha passou por uma grave crise econômica antes da Segunda Guerra e que Hitler trouxe o crescimento econômico quando começou a se preparar para as batalhas. Dessa forma, a indústria bélica sempre agradeceu as eventuais guerras no mundo. E, se lembrarmos que a indústria bélica emprega muita mão-de-obra, não podemos ser indiferentes aos prejuízos para esses pais e mães de família. O que seriam deles se não houvesse guerras no mundo? Poderíamos ser indiferentes - como o somos - às guerras e genocídios que ocorrem todos os dias em algum lugar remoto do planeta. Poderíamos ser indiferentes à guerra que ocorre ao nosso lado, nas favelas. Poderíamos ser indiferentes a tudo, mas à queda na produção da indústria armamentista- isso é ir além dos limites.


Bem, acho que muito falei. Creio que nada provei, mas não era meu intento. Apenas um devaneio pelo que muitos consideram um mal, mas que é uma constante, ainda que intermitente, da vida humana. Pode ser que a guerra só desapareça da face da terra quando o último homem também desparecer...

sábado, 5 de setembro de 2009

A Vaca Mimosa se Apresenta ou a Revolta dos Animais

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Venho aqui, a contragosto e com muita má vontade (e, obviamente, correndo perigo de ser "despachada" desta para melhor), me insurgir contra vocês, seres humanos, destruidores de meus iguais, sanguinários de minha espécie, carniceiros de minha prole.

Ó seres humanos, como vocês podem ser tão sedutores e tão gentis, quando nos alisam, quando nos alimentam, quando nos ordenham! Podem ser também cruéis nos machucando e maltratando, batendo e chicoteando! Cruéis quando nos separam de nossa prole, para nosso leite melhor tirar! Mas todos, os gentis e cruéis, sempre têm algo em comum. No tempo da matança, vocês, sem piedade nem dó, nos abatem como se fôssemos apenas alimento! E, para vocês, raça mísera, somos apenas alimento! Não é verdade? Vocês podem até mesmo falar conosco, como muitos de vocês fazem. Mas a mesma mão que nos afaga é a mão que nos mata.

Vivo no campo. Apesar de haver muitos pastos verdejantes, eu sei que sou uma prisioneira. Há cercas com arame farpado se eu andar para qualquer um dos lados. Muitos dos meus iguais não se importam, desde que tenham pasto e água.
 
Afirmam que basta ter comida e um pouco de espaço para caminhar. Aliás, aqui em minha prisão, há muito espaço. É uma das maiores prisões de gado que jamais vi ou verei. Sei qual é o meu destino. Uma vez, vi o que vocês fazem conosco! Com os meus próprios olhos!

Porque devo dizer que muitos de nós não acreditam. Conheço o boi Zebu, defensor da raça humana, que me difama perante o nosso rebanho. Afirma ele que estou com a doença da vaca louca, que eu sou uma comunista, que sou uma porca safada (não gostamos dos porcos como vocês gostam!). O boi Zebu, em vários discursos, ataca meus argumentos contra vocês, humanos, e defende que, sem a sua ajuda, estaríamos entregues à sorte da Mãe Natureza, que seríamos presas de onças ou cachorros-do-mato. Os seres humanos, segundo ele, por sua bondade infinita, prepararam e cercaram verdejantes pastos para que nós, os seres bovinos, pudéssemos tranquilamente viver. Os seres humanos são os nossos mais queridos irmãos! Que raça benigna! Que espécie maravilhosa! Foi por isso que Deus concedeu a eles a inteligência, que é capaz de moldar a natureza a seu bel-prazer.

Devo confessar que, por muito tempo, segui as orientações do rebanho. Boi Zebu é o macho reprodutor. É o dominante. É dele a tarefa de transar com todas as vacas de nosso rebanho, inclusive eu. Dele, já tive dois machos. Boi Zebu gosta de ser líder e ama os seres humanos. É um macho feliz e musculoso. Diz ele que já foi levado a exposições onde era mostrado e admirado por muitos humanos. Fiquei impressionada, devo admitir. Mas vou contar por que me transformei em crítica dos humanos.

Alguns de nós, mais desconfiados do que a maioria, sempre suspeitaram da benignidade humana. Sempre éramos separados em determinadas épocas do ano. Escolhiam alguns e esses eram levados embora e nunca mais os víamos ou ouvíamos falar deles. Boi Zebu e os defensores dos humanos sempre argumentavam que esse gado estava sendo levado para terras melhores ou, se houvesse alguém de quem não gostássemos, afirmavam que eram degredados para as terras sem lei.

Não sabíamos para onde iam os nossos iguais. Poucos se importavam, no entanto. O que importava era a comida, o tempo e o sexo. Não pensamos muito. Pensar é um hábito dos humanos. Sei que não da maioria, é claro.

Eu vivia a minha vida, como todas as outras vacas daqui. Quando tive meu último bezerro, que nasceu manco. Eu senti por este filho um amor sem limites. Queria protegê-lo de tudo e de todos. Os humanos conversavam muito entre si, aparentemente sobre ele. Eu não sabia o que eles estavam mugindo (o mugido de vocês é muito irritante, parece com o dos macacos). Mas, com certeza, as ideias trocadas eram sobre o meu pobre bezerrinho. Então, eles o levaram. Eu briguei, embirrei, tentei fazer de tudo para protegê-lo. Mas vocês são mais hábeis e mais espertos. Ludibriaram-me. Meu bezerro muito mugiu, em súplica. Vocês o levaram, no entanto. Fiquei arrasada e, naquela noite, não fiquei junto com o rebanho, mas, sim, permaneci perto do curral - lugar onde somos constantemente usadas e abusadas por vocês.

Meu bezerro me chamava a noite toda. Sabia que ele estava me chamando e eu o chamava de volta. Ficamos nesse suplício durante toda a noite. Em algum momento, comecei a ouvir o som de facas sendo afiadas. Tornei-me atônita. Prestava atenção em cada movimento. Meu filhinho foi levado do curral para outro lugar. Um garoto, que acompanhava os adultos, voltou-se para mim e passou o dedo indicador pelo pescoço, fazendo o sinal de morte. Fiquei horrorizada e aumentei meus brados pelo meu filhinho manco. Os homens nem sequer me olharam, continuaram seu caminho, com meu bebê manco logo atrás. Eu os perdi de vista.

Meu filho não mais berrou naquela noite.

Perturbada permaneci por muitos dias. Nesse momento, comecei a perceber que vivíamos em uma tirania. Pode uma mãe ficar longe de seus filhos? Pode uma mãe ser separada dos seus filhos para dar o leite para estranhos? E se eu quiser sair para encontrá-lo? Eu estou presa aqui. Completamente presa. Sou uma escrava.

Nesse período, eu procurei o velho touro Barnabé. Já estava idoso e seu ódio aos humanos era imputado por estar totalmente esquecido por eles. Eu o procurei, porque comecei a concordar com os seus pensamentos. E foi assustador o que ele me disse.

O touro Barnabé participara, quando jovem, dos grandes torneios. Nessas idas e vindas, ele viu terríveis fatos. Acusou os humanos de serem vampiros. "Vampiros?", perguntei aterrorizada. "Sim, vampiros", ele continuou. "Vampiros que nos matam a todos, arrancam nossas tripas e abocanham nossa carne. Eles nos puseram aqui para engordarmos, para ficarmos fortes e para, em seguida, usar nossa carne em seus festins diabólicos. São desumanos os humanos. Outros animais que nos caçam, como as onças ou leões, só pegam um ou outro e se satisfazem somente com o necessário. Os homens, não. Para eles, temos que viver uma vida na prisão, uma vida de servidão para, no final, sermos abatidos como porcos! E eles usam tudo de nós. Até nossa bosta!! Até nossa bosta eles usam como adubo! São feras egoístas e descomunais! Eles nos prenderam aqui e a matança deles é metódica e cruel. Entramos em uma fila, em uma grande indústria, e somos abatidos em uma linha de produção. Depois, nos esquartejam e vendem a nossa carne para muitos outros humanos. Chamam isso "lucrar". Fiquei aterrorizado, pois vi um irmão ser devorado por eles, no que chamam "churrasco". Porcos são todos os homens", bradou o velho Barnabé.

Aterrorizada permaneci. Por muitos anos, acreditei em vocês. Amei vocês. Sei, no entanto, que santos vocês não são. Mas ainda tremo com os mugidos de Barnabé. Ainda não consigo acreditar. Então, a nossa vida é apenas isto ? Ser pasto para vocês? Me respondam, pelo amor da Mãe Natureza! Eu custo a acreditar! Quero saber. Quero saber toda a verdade, caros carrascos.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Hugo Chávez

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Mais um grande líder da humanidade!


Pensei que só escreveria sobre líderes que não fossem mais líderes, isto é, que já tivessem perdido o seu cargo para outro. Mas não é o caso desse grande homem, desse líder único da esquerda revolucionária do mundo (quando não há mais outras opções!), desse novo Bolívar que vai unificar todo o continente hispano-americano e formar com os hermanos uma grande potência (contra a potência lusitana?)!


Muito provavelmente, ele não deixará o poder nas próximas eleições. Nem nunca mais. Será novamente eleito, nos braços do hercúleo povo venezuelano! O que são dez anos perante a implementação da república socialista? Nada. E só uma pessoa pode implementá-la. Quem? Acho que vocês já sabem a resposta...


Tentou chegar ao poder por todos os meios. Golpe tentou dar. Golpe, não, me desculpem... Revolução (que é como chamamos o nosso golpe!). Não conseguiu. Depois, foi para as urnas e se deu bem. De golpe para eleições e, de novo, para golpe só que agora contra ele, o Hugo Chávez.


E quem foi socorrê-lo nesse momento difícil? O nosso grande líder. O nosso grande guia. O nosso grande guru (espero ansiosamente ter um pouco de dinheiro para comprar o seu dicionário!). Luís Inácio Lula da Silva, que mais parece ser mãe dos nossos hermanos.


Quando Hugo Chávez chegou ao poder, ele sabia que ninguém o tiraria mais de lá, a não ser morto. Ou por um golpe militar, economicamente financiado pelos EUA (básico!).


Quando ameaçado pela maior potência do mundo (que mostrou uma enorme impotência perante a crise financeira mundial), Hugo Chávez é o único que tem coragem de se levantar e lutar contra a opressão estrangeira.


A Colômbia quer abrir suas bases militares para os norte-americanos? Só Hugo Chávez poderá nos salvar. Nem Fidel, nem Raúl. Só Chávez.


O que seria de nós sem tal líder? A quem recorreríamos?


Imaginem se déssemos ouvidos aos apelos dos jornais, estações de rádio e de tv que foram fechados. Eram todos vendidos para os interesses estrangeiros. Se não obedeciam a Hugo Chávez, não teriam chance na Venezuela. Esse negócio de liberdade de imprensa só serve em democracias fajutas, servas do capitalismo global e maquiavélico. Na Venezuela de Chávez, só há espaço para a verdade. Uma verdade. A de Chávez, é claro.


E tomem cuidado os norte-americanos. O seu tempo está passando. Se quiserem desafiar Hugo Chávez, é melhor se armarem. Pois, se mexerem com Hugo, Hugo começa uma guerra. Será como Davi e Golias. E Golias vai se dar mal...


Só uma inconveniente propensão para muito falar, é claro. Mais de um pensou, mas só um falou: por que não te calas? Tudo bem, porém. O muito falar provém do muito pensar, não é mesmo? E ninguém pode duvidar de que Hugo Chávez é um grande pensador. Agora, ele vai transformar as escolas de seu país em lugar de catequese de suas ideias. Nada como um pensador democrático e justo! Só há uma verdade, é claro! A dele!


Por isso e muito mais, gostaria de dizer que Hugo Chávez, junto com George W. Bush (acho que eles não se davam muito bem não...), é e sempre será um dos grandes líderes da humanidade!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Humilde Proposta para a Reparação aos Afrodescendentes pelas terríveis e inenarráveis dores da Escravidão no Brasil





É um assunto polêmico, bem sei eu, pois, por muito estudar e ler na internet, nos jornais e em outros meios de comunicação, percebi e vi que a questão da reparação aos negros ou, melhor, aos afro-descendentes pelo odioso e triste flagelo da escravidão é um tema excruciante. Mas não posso me calar. Não posso desviar minha atenção desse terrível fato. A escravidão foi... Foi, não. É e continua sendo uma chaga ainda aberta da história de nosso país. Não duvidem disso. Basta olhar para todos os lados. O que vocês veem? Os eurodescendentes (pois chamá-los de brancos é muito preconceito) em posições de destaque, com carros do ano, com os melhores imóveis, estudando nas melhores escolas. E os afrodescendentes? Sempre por baixo, com exceção, é claro, do Ministério da Integração Social. Mas devemos notar bem isso, meus caros! A herança da escravidão é um fato. Um fato incontestável! E o Brasil, desde a abolição, o que deu aos afrodescendentes? Nada. Só não sucumbiram todos devido à sua constituição robusta e a seu grande ânimo. Aos afrodescendentes cabe mais: mais de nossa política, mais de nossa sociedade, mais de nossa economia!


E, quando várias propostas de cotas para universidades públicas foram aprovadas, surgiram em todos os lugares vozes discordantes. Clamavam que as cotas feriam o princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei. Desnecessário afirmar que não somos todos iguais e não importa que a Lei Maior assim o diga, pois a Lei Maior, apesar de todas as intenções com que foi feita e de todas as sanções que são necessárias para mantê-la, não mudará completamente a nossa realidade. Sou completamente cético em relação a isso. As leis - não importam como as chamamos, se Dez Mandamentos, Constituição, Leis Ordinárias (aliás, algumas são realmente bem ordinárias) - não mudaram o homem. Só aparentemente. Pois, quando o ser humano percebe que não há um olho vigiador, que não há uma possível punição aos seus atos, ele (ou ela) é capaz de atos que fariam o próprio Diabo tremer de medo. Já sei! Serei acusado de pessimista, de cético, de reacionário, de senador(?)! Mas não me importo, pois devo dizer a verdade. Somos desiguais. E, ao dizer que somos todos iguais, creio que a intenção foi afirmar que alguns não podem ser muito desiguais em relação aos outros. No entanto, e voltando ao meu tema, as cotas passaram a ser criticadas por aqueles que as veem como uma desigualdade de nosso sistema de justiça.


Ora, sejamos francos, nosso sistema de justiça, por muitos séculos, foi injusto com uma grande parcela de nossa população. E a "ajuda" dada aos seus descendentes, a "preferência" no momento de entrar em uma instituição pública, agora é tratada com todo esse cinismo conservador? Não estou afirmando que são todos conservadores, os contrários às cotas para afrodescendentes. Podem ser pais de classe média que, depois de terem gastado uma fortuna na educação de seu filho e de o verem ser preterido por causa do sistema de cotas, se sintam indignados e briguem na justiça por maior isonomia. Pode ser...


Mas é um fato, assim vejo eu, que o sistema de cotas, na verdade, é muito pouco para reparar toda a injustiça da escravidão.


Vejam bem, os escravos foram trazidos em infectos navios, levaram surras, foram rebaixados, apartados e jogados em currais humanos, chamados senzalas, e obrigados a trabalhar a vida inteira. E isso por quantos anos? Por séculos! E agora me vêm dizer que as cotas são um absurdo? Querem absurdo maior do que esse? Pois o sistema de cotas, repito, é pouco, muito pouco! Houve (ou há, realmente não sei) um movimento para se pagar uma indenização aos afrodescendentes, tal como há um sistema que paga indenizações aos perseguidos pela ditadura militar. Ora, se os torturados da ditadura estão recebendo, por que não os afrodescendentes? Afinal, a tortura e a perseguição política duraram apenas duas décadas, enquanto que a escravidão foi intensamente praticada por aproximadamente quatro séculos... Bem, ainda assim, mesmo com as cotas e um sistema de indenização, é pouco, muitíssimo pouco. Precisamos mais. Para sermos uma grande nação! Não, uma grande nação, não. Uma nação justa.


Para uma justiça completa, seria necessário que os próprios escravos se levantassem de seus túmulos, de sua vala comum. Que eles se reerguessem e voltassem do limbo em que se encontram. E voltassem a esse vale de lágrimas, somente para alguns, é bem certo, mas que foi sobretudo para eles. Tal como a visão do Juízo Final, ou dos diversos filmes de morto-vivos ou zumbis, ou do vídeo-clipe do Michael Jackson. Pois não podemos imaginar como haverá alguma reparação justa a não ser para aqueles que sofreram as perdas e danos. Perdas e danos de quê? Da própria vida. Só os próprios escravos saberão o que fazer para reparar o mal. E os antigos donos igualmente. Eles deveriam voltar também de seus ricos cemitérios para pagar por todos os seus pecados. Assim, os culpados seriam oprimidos por suas vítimas. Além disso, os escravos, para mostrar todo o seu ódio contra o mundo que os escravizou, em um grande movimento de ataque, poderiam dominar vivos e mortos, fazendo todos seus servos, usufruindo de todos os benefícios para apagar toda a dor de sua existência.


Mas isso ainda não é possível, bem sei eu, pois a nossa ciência ainda não possui a tecnologia para levantar defuntos. Não desistamos, porém. Algum dia acredito que os seres humanos conseguirão realizar essa hoje impossível alquimia. Nesse meio tempo, creio que encontrei uma alternativa viável.


Viável, digo logo, se o Brasil tiver coragem para enfrentar a ação insidiosa das grandes nações, aí incluídos os EUA. Ou, ainda melhor, astúcia para se aliar com os EUA em um ataque rápido contra a Europa. Creio, no entanto, que o atual governo terá a hombridade e coragem suficientes para encarar “de frente” mais esse desafio, como tem mostrado contra os países latino-americanos que tentam tomar nosso poder (mas essa é outra questão!).


Conforme afirmei mais acima, o sistema de cotas ou o pagamento de indenizações são propostas saudáveis e dignas para os afrodescendentes, mas, em minha humilde opinião, não representam nada perto da ignomínia da escravidão. Tendo isso em mente, pensei e repensei muitíssimo uma forma de reparar essa grande chaga em nossa história. Na minha concepção, só existe uma maneira de reparamos e apagarmos totalmente esse triste passado nosso.


Não há possível justiça, nem exequível reparação se ambas as partes, senhores e escravos, não trocarem de papéis. Ora, como viveremos em uma comunidade onde um grupo, os afrodescendentes, sofreu muitíssimo e outro grupo, os eurodescendentes, só usufruiu? Nenhuma medida será capaz de acabar com essa discrepância a não ser essa minha modesta oferta.


Dessa forma, minha humilde proposta, que, além de justa, se mostrará economicamente viável, é que os eurodescendentes se tornem escravos dos afrodescendentes em nosso país, por igual período ao da primeira escravidão. Sim, de que outra forma demonstrar aos eurodescendentes como é triste e degradante ser escravo? Assim, eles sentirão na pele o que é ser tolhido de sua liberdade, de sua dignidade, de seu valor, de, enfim, sua humanidade. Tornar-se-ão coisas, objetos, mercadoria (aí está o nosso economicamente viável...) para serem usados e abusados pelos afrodescendentes.


Além disso, os afrodescendentes poderão ver que ser senhor também não era uma tarefa fácil. Posição essa que fará com que as gerações futuras não sejam acusadas de ignorância. Gerir, administrar, chicotear, lucrar farão parte do vocabulário das próximas gerações de afrodescendentes. E, na posição de senhores, provavelmente, perderão todo o seu rancor pelas injustiças do passado, cometendo injustiças no presente.


Os políticos, se não estivessem tão preocupados com a ética, poderiam observar que a proposta, além de justa, é viável economicamente. Se o Brasil se aliasse aos EUA, conforme afirmei acima, contra a Europa, seria um bom começo. Pois, como não há muitos eurodescendentes no Brasil, ou, se comparados com os afrodescendentes, os eurodescendentes são minoria, deveríamos reinstituir o tráfico escravocrata, escravizando e dominando o continente europeu – afinal, não foram eles que começaram o tráfico negreiro? Assim, como minha avó dizia, matamos dois coelhos com uma cajadada só. Tornamo-nos uma grande e justa nação. Se os EUA fraquejarem nesse esforço, poderemos recorrer aos nossos amigos latino-americanos e aos nossos colegas africanos. Com certeza, representando eles grandes potências, poderemos derrotar as forças europeias e outras. Dessa forma, se formos bem sucedidos, será uma opção economicamente viável vender os escravos de nossas guerras para outras nações civilizadas. Com o monopólio da escravidão em nossas mãos, conseguiremos impor nosso preço no mercado internacional. Imaginem quanto valeria um escravo forte e robusto. Devemos, com isso, agir rápido, pois essa oportunidade é única. Seríamos grandes comerciantes e, com isso, aumentaríamos todo nosso prestígio no mundo. Não foi assim que as grandes nações atuais conseguiram ser o que são? Então, devemos seguir o exemplo deles.


O tráfico, com certeza, não será feito daquela forma desumana, mas, sim, utilizando os últimos aparatos tecnológicos. Poderemos usar aviões e navios, se quisermos. Não seremos acusados de monstros, com certeza. E, caso alguém nos acuse, usemos o grande porrete, como foi sugerido por um nobre presidente norte-americano.


Fiz essas considerações em relação ao mercado externo. Internamente, pode ser mais complexa a questão de saber quem é ou não afrodescendente. Uma nobre universidade, que utiliza o sistema de cotas, instituiu uma comissão que decide quem é ou não afrodescendente. Assim, houve o caso dos irmãos gêmeos, em que um foi considerado como tal e o outro, não. Pode ser uma opção, mas creio que essa comissão deva conseguir métodos mais científicos, como jogar cara e coroa, unidunitê, etc. Os políticos atualmente eleitos podem criar uma medida provisória afirmando-se, desde já, senhores e não escravos, afirmando-se afrodescendentes e não eurodescendentes . Para políticos, seria fácil ter a cara de um eurodescendente e afirmar-se afrodescendente.


Depois, é só começar o processo seletivo para toda a população. Poderíamos usar as Forças Armadas para nobre missão. Não vou me adentrar em pormenores, mas devo afirmar que deveríamos criar um índice de avaliação para ser usado em toda a nação. Assim, quem tiver dentro de determinado número do índice é senhor. Quem estiver fora é escravo. Muito simples e prático.


Quanto a quem será escravo de quem, isso são outras questões. A mim cabe somente plantar a semente de tão brilhante ideia. É um dever nosso lutarmos pelo que consideramos justo.


A Nova Escravidão ou a Reparação A Longo Prazo deve ser feita de forma metódica. Deve durar somente quanto tempo durou a antiga escravidão. Como não sou historiador e como percebi que tal matéria é controversa, deixo para meus amigos historiadores, sobretudo para aqueles que serão senhores (e não os que serão escravos, pois serão tendenciosos), a questão de delimitar quanto tempo durará a Nova Escravidão.


Minha proposta terá sua oposição, como todas as grandes ideias uma vez já tiveram. Sei, no entanto, que estou lutando para o bem de nosso país e, com isso, para o bem da humanidade. No futuro maravilhoso e utópico que se forma, os seres humanos verão como estava eu certo.
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