domingo, 27 de setembro de 2009

O Manual dos Manuais de Auto-Ajuda

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Um amigo meu, depois de um período longo sem vê-lo, surgiu do nada com um grande sorriso no rosto e a mão estendida para o cumprimento milenar (ou mais, não sei...), enquanto eu estava deprimido por me encontrar literalmente na pior (financeiramente falando...).

Esse meu amigo se formara advogado em uma dessas novas faculdades privadas que pululam por aí. Durante o curso, ele só pensava em mulheres e farra. Depois, começou uma frenética busca por emprego, sem muito sucesso... Da última vez que ouvi falar dele, me disseram que estava estudando para ser juiz. Pelo sorriso e por sua roupa cara, achei que estava falando com um juiz...

"Então, doutor juiz...", brinquei.

"Que juiz que nada", replicou. "Descobri a fórmula do sucesso!" E antes que eu pudesse perguntar como, pois o meu sucesso não estava lá nada bem, ele já me respondeu: "Sou um autor de auto-ajuda. Mas...", disse olhando para um lado e outro, como se tivesse medo que outros o ouvissem, "mas não me apresento assim, digo como autor de auto-ajuda. Me apresento como consultor para o sucesso." Puxou um cartão no qual estava escrito em letras bonitas: Fulano de Tal, consultor para o sucesso. "Bem, você é inteligente. Acho que você merece essa chance. O meu instrutor vai fazer uma palestra só para os indicados. Eu estou indicando você. Aparece lá e você vai ficar podre de rico. Mas não conte para ninguém. Isso é segredo de estado!" E foi-se embora o meu amigo.

Estranhei o segredo, mas achei interessante participar desse encontro. Não vou comentar o fato de ele me dizer que iria ficar podre de rico... Acho que estou acima disso.

Objetivo deste Blog

Meus amigos,

Como sou um cara humilde, creio que o objetivo deste blog não é ter os cem leitores de Stendhal, mas, sim, os cinco de Brás Cubas. Cinco? Com certeza, cinco (e aqui meu sincero agradecimento aos meus leitores!). Que apenas um leia e compreenda, para mim, já é muito, desde que esse pobre solitário não seja eu.

Escrevo para todos e para ninguém. Sinto-me confortável com o meu anônimo sucesso. (Minto, não é óbvio? Quero que todo mundo goste de mim. No máximo, essa pose altiva é despeito... Mas, às vezes, esse despeito gerou obras fabulosas...)

O objetivo deste blog é apenas falar a verdade de forma satírica, o que nem sempre corresponde à verdade dos espíritos geométricos.

Como o tempo me falta, não vou poder, por algum tempo, encher este blog de posts. Já tenho alguns trancafiados na prisão da minha mente, mas, para libertá-los para o mundo real (ou virtual? Bem, não sei...), como todo escritor sabe, é preciso transpirar um pouco... E o pobre do detento, que na minha prisão mental era tão bonito e espirituoso, sai para o mundo estropiado e pobre de espírito... Mas vá lá!

Enquanto eu tiver alguma coisa para dizer, vou continuar postando... Ainda que de forma esporádica.



Já está quase pronto o próximo post, que provavelmente se chamará "O Manual dos Manuais de Auto-Ajuda".

domingo, 20 de setembro de 2009

Como criar um fiasco de blog



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Percebi que há muitos posts e blogs de qualidade sobre o assunto que, em geral, pode ser chamado "como criar um blog de sucesso". Eu sigo e acompanho avidamente todos esses blogs, que, com benignidade e generosidade, nos brindam com dicas e tutoriais sobre diversos problemas e/ou oportunidades dessa sofrida vida de blogueiro. Aqui vai meu sincero agradecimento a todos esses heróis e heroínas que nos aturam as dúvidas e nos atendem às súplicas.

No entanto, percebi que pouco espaço há para quem não deseja sucesso. Para quem deseja fragorosamente fracassar... Por isso, pondo em prática o conselho de encontrar um "nicho" de mercado, eu encontrei uma oportunidade de levar a meus colegas que desejam simplesmente que ninguém leia seu blog, ou que, por achar muito difícil o caminho do êxito, prefiram a porta escancarada da preguiça.

Como vocês já perceberam, sou um blogueiro de muito "sucesso". Meu sucesso consta de construir e manter um fiasco de blog. Poucos herói visitam esse blog para ler meus desvarios. Eles realmente são herói por aguentar minhas sandices bem calculadas. Uma salva de palmas para esses heróis. E já aproveito a oportunidade para pedir desculpas a esses meus amados leitores que podem se sentir um pouco ofendidos por seguir um blog cujo autor considera um fiasco!

Agradeço também a meus familiares. Nenhum deles teve o desatino de acessar a minha humilde página. Creio que, com isso, mostraram total inteligência e desprendimento.

Deixemos de delongas e vamos ao que interessa. Às dicas para se construir um fiasco de blog!


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Muntadhar al-Zaidi: o homem que jogou os sapatos em Bush

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Vivemos em um mundo de liberdade e igualdade, não é mesmo? Em uma era de prosperidade e de fraternidade! Quando ligamos os nossos fabulosos aparelhos de tv, navegamos em nossos computadores ou quando lemos nos volumosos jornais, ficamos impressionados com a vasta quantidade de notícias sobre a generosidade e bondade humanas. Percebemos que o mundo realmente está caminhando para uma nova era de paz e de fraternidade... Ah, como é bom ser humano neste início de milênio!

domingo, 13 de setembro de 2009

Sarney: um exemplo de perseverança

Depois de ter sido atacado por todos os lados, depois de ter levado um cartão vermelho do Suplicy, depois do tsunami de acusações, depois de terem arquivado todos os processos (e não terem dado chance de defesa ao grande Sarney), depois de todos os pedidos para renunciar à presidência do Senado, Sarney pode ser considerado um exemplo cabal de perseverança.

Ora, ele é brasileiro e brasileiro não desiste nunca!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Da Necessidade dos Jogos

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Em meu penúltimo post, falei sobre a necessidade da guerra, o que muitos amigos meus podem considerar uma blasfêmia. Mas comentar sobre a necessidade dos jogos, apesar de não suscitar tamanhas dúvidas, é, ao mesmo tempo, simples e complexo. Além disso, este escriba, apesar de parecer temerário, crê ser possível traçar um paralelo entre os jogos e as guerras.

Por que jogamos? Por que assistimos jogos? Por que paramos tudo para ver vinte dois homens em um combate para colocar a bola no gol do adversário? O que nos faz aguardar ansiosos essas partidas, esses jogos? Por que, enfim, chegamos a sofrer por eles?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Por que me ufano de meu país

Nesse 7 de setembro, só há motivo de felicidade!

Nem mesmo Afonso Celso foi capaz de imaginar um futuro tão grandioso para o grandioso Brasil.

Pois aqui canta o sabiá, aqui sou amigo do rei, aqui muito petróleo no pré-sal tem!

Eu ainda não entendi, nem vou entender, por que tanto alarde está sendo feito do petróleo do pré-sal. Parece que já estamos extraindo e vendendo com grande lucro esse petróleo para todos os países do mundo. E se alguma coisa der errada? E se não conseguirmos tirar esse petróleo das profundezas do pré-sal? E se custar muito? E se não tiver nada? Ou menos do que clamam ter? Bem, deixemos essas perguntas para lá. Nossos líderes parecem ter pensado nisso tudo, não é mesmo?

Da Necessidade da Guerra(?)



Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

Quincas Borba, grande filósofo


A guerra é necessária ou é apenas uma discrepância do comportamento humano? Essa é uma questão filosófica, amigos! Pois, no bojo dela, vai lá, escondida, subterrânea, ocultada, a questão da bondade e maldade humanas. Se somos seres irremediavelmente maus e terríveis (não importa aqui o porquê, mas, sim, que somos maus), como na maior parte do tempo somos, então a guerra, o estupro, o assassínio, a escravidão são fatos normais de nossa realidade. Agora, caso sejamos intrinsecamente bons e fomos desvirtuados pelo pecado original, Diabo, capitalismo, má educação ou acaso genético, então devemos consertar o que está errado, tomar o rumo certo e sermos felizes para sempre.

Essas duas teorias ou visões do ser humano são as extremas, a do mal e a do bem, mas outras há em que se considera o ser humano, às vezes, bom e, outras, ruim (e muitas, péssimo!). Podemos chamar essa última teoria de mista do ser humano(como sempre há nesses casos, não é mesmo? Seria a tal da tese, antítese e síntese? Ou meio-caminho? Ou o estar-em-cima-do-muro filosófico). E poucos a professaram, pelo menos, abertamente.

Disperso-me, no entanto. Em outro post, continuo tema tão interessante. Nesse, especificamente, falo sobre a guerra. E a guerra como necessidade. Mas que tipo de necessidade seria esta?

A opinião comum e politicamente correta não somente afirma que a guerra é um erro inenarrável e uma afronta à moral e à ética, por matar milhões de seres humanos (sem contar nossos pobres amigos animais...), mas também que é responsável pelo descalabro da máquina econômica, prejudicando os bons negócios do libérrimo capitalismo. Esses argumentos encontram-se espraiados em ampla literatura e nos meios de comunicação. Podemos afirmar que surgiu com o advento da moderna democracia e dos então revolucionários meios de comunicação, que prometiam alterar o mundo para melhor, é claro, e que, por um momento, pareciam ter alterado mesmo.

Depois da Primeira Guerra Mundial, que não tinha esse nome, pois ninguém imaginava uma segunda, os europeus, por terem sofrido anos e anos de carnificina humana perante às máquinas de destruição, comandadas por humanos, obviamente, enfim, os europeus ficaram chocados com esse tipo de guerra. A guerra da era moderna. A guerra das máquinas contra a carne. A guerra química. Antes, na época de Napoleão, de César, de Crommwell, a guerra era um fato mais aceitável e, em muitos casos, venerado. Matar com espadas - enfiar a lâmina na viva carne humana para rasgar e trucidar - não era pior que matar com o moderno armamento de fogo, ou seria? É só assistir aos filmes de Mel Gibson, em especial Coração Valente, para perceber que as guerras de lanças e espadas eram muito mais civilizadas do que as atuais.

No entanto, nesse meio tempo, entre a Revolução Francesa e a Primeira Guerra, houve a revolução industrial e tecnológica. Enfim, o capitalismo triunfou. E o cálculo matemático dominou os generais. Ou melhor, o cálculo econômico. (Um amigo meu, mais erudito e esperto, me afirma que sempre foi assim. Quem tinha como financiar as guerras a longo prazo, é que levava as batatas para casa. Citou até um livro, A ascensão e queda das Grandes Potências de Paul Kennedy - e eu fiquei assoberbado com minha ignorância...). E, com o cálculo econômico, as considerações de como matar com o menor custo - e suas aplicações imediatas. A metralhadora foi um bom avanço nesse sentido, e os cientistas que a fizeram pensaram haver construído a arma perfeita. Ledo engano. Muito ainda pode se aperfeiçoar nesse sentido. É só assistir no National Geographic.


Mas, depois que a máquina entrou no jogo da guerra, os conflitos perderam o glamour inicial. É só ver no Último Samurai de Tom Cruise. Assim, os cidadãos, tementes a Deus, quiseram banir a guerra como forma de resolução de conflitos. Leiam a Carta das Nações Unidas e verão que o mundo seria um lugar muito melhor se todos se resignassem e obedecessem os EUA... Não seria um mundo bem mais simples? Pelo menos, para os norte-americanos.


Também creio que, com a criação da bomba atômica (ai de nós, por Nagazaki e... como era mesmo o nome da outra cidade?), os seres humanos pensem bastante antes de começar uma nova guerra. Pelo menos, contra alguém que tenha a bomba. Se vocês tiverem e o outro não, pensem bem de quem é a vantagem.


E a Segunda Guerra foi causada por um homem, Hitler, que via na guerra a própria essência de evolução da espécie. Se os outros, sobretudo os ingleses e norte-americanos de então, acreditavam fielmente que poderiam evitar a guerra, dando de graça o que Hitler queria, como é que não perceberam que Hitler estava disposto a conseguir mais tirando à força? Só um Churchil, talvez... Quando os pacifistas ingleses viram que teriam de aturar uma ditadura alemã, os brios nacionalistas fizeram muito deles pôr entre parêntesis suas crenças e aderir à guerra. Pois, no jogo diplomático internacional, ninguém quer ficar por baixo, mas só por cima. Nem mesmo os homens tementes a Deus.


Pois, foi um homem temente a Deus, da Nação defensora da democracia, que iniciou uma guerra. De George Bush podemos falar horas e horas a fio. Já o fizemos grande líder da humanidade, em um post anterior, mas, desse grande líder, não podemos duvidar que era um homem muito inteligente e modesto.


Pois, vejam bem, o argumento que usou para iniciar a guerra no Iraque foi, ao mesmo tempo, brilhante e simplérrima. Você está na sua casa quieto, mas sabe que tem um inimigo. Você sabe que tem um inimigo e, por isso, tem um arsenal inteiro de armas em sua casa. Você, aliás, já deu uma surra nesse seu inimigo por alguma desavença anterior. O inimigo diz para você que não está produzindo ou comprando arma nenhuma. O inimigo diz que não tem intenção nenhuma de atacar você. Mas como acreditar no inimigo? Melhor mesmo acertar uma paulada na cabeça dele antes que ele acerte na sua. Está aí, meus amigos, a teoria da guerra preventiva. Melhor prevenir do que remediar... Mas o Saddam não tinha as armas de destruição em massa? Bem, detalhes... E, se não tivesse, poderia ter, não é mesmo? Por essas e por outras, é que Bush pode ser considerado um dos grandes líderes da humanidade.


Assim, também o argumento de que a guerra pode ser maléfica para a economia carece de fundamento. Pode ser prejudicial para parte da economia, mas, para a economia como um todo, muito pelo contrário. Basta recordar que a Alemanha passou por uma grave crise econômica antes da Segunda Guerra e que Hitler trouxe o crescimento econômico quando começou a se preparar para as batalhas. Dessa forma, a indústria bélica sempre agradeceu as eventuais guerras no mundo. E, se lembrarmos que a indústria bélica emprega muita mão-de-obra, não podemos ser indiferentes aos prejuízos para esses pais e mães de família. O que seriam deles se não houvesse guerras no mundo? Poderíamos ser indiferentes - como o somos - às guerras e genocídios que ocorrem todos os dias em algum lugar remoto do planeta. Poderíamos ser indiferentes à guerra que ocorre ao nosso lado, nas favelas. Poderíamos ser indiferentes a tudo, mas à queda na produção da indústria armamentista- isso é ir além dos limites.


Bem, acho que muito falei. Creio que nada provei, mas não era meu intento. Apenas um devaneio pelo que muitos consideram um mal, mas que é uma constante, ainda que intermitente, da vida humana. Pode ser que a guerra só desapareça da face da terra quando o último homem também desparecer...
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