Em uma matéria na última edição da VEJA, comentou-se sobre o recorrente problema do ato de urinar em público. Ora, os homens (e algumas mulheres, conforme já presenciei de fato) muitas vezes se aliviam publicamente, transformando o espaço público em uma tremenda privada. Foi o que alertei, há quase um ano, no meu post Privada Pública ou Consideração Filosófica sobre a Grande e Pequena Corrupções, no qual narrei alguns fatos e um pesadelo muito estranho que me atemorizou. O fato é que a urina pública é uma afronta aos princípios básicos de higiene, de etiqueta e de respeito. Respeito não só com o próximo, aquele que poderia passar no exato momento do ato de urinar ou que passará depois quando o fedor de amônia for insuportável, mas também respeito com o bem público – e sobre isso talvez me explique em outro post.
Estava andando pelas ruas de minha cidade – minha na medida em que nela vivo – quando me deparo com um homem de idade respeitável urinando encostado em um muro. Resmunguei um pouco, mas o velho virou a cara para mim e piscou o olho direito. Que fazer? Continuei o meu caminho. Na mesma semana, eu o encontrei novamente e novamente o infeliz estava urinando, agora próximo a um poste. Os horários dos encontros eram os mais variados. Na primeira vez, foi bem de manhã, eu estava indo dar aquela caminhada matinal. Na outra, foi perto das sete da noite e, dessa vez, ele estava, mais ou menos, escondido. Fora o fato de urinar em público, notei que o homem, já com seus cabelos brancos, demonstrava a maior seriedade e respeitabilidade. Percebi que se tratava de um homem que perdera o juízo. Tive a certeza quando ele, na terceira vez que nos encontramos na praça principal da cidade, me contou o seu credo político.
Na medida do possível, este blog tem um único propósito: apresentar sátiras sobre assuntos caquéticos, contemporâneos e eternos. Assuntos humanos. Só.
domingo, 11 de julho de 2010
A Grande Privada Pública continua…
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terça-feira, 6 de julho de 2010
Assuntos Humanos, Demasiadamente Humanos
No último post sobre a Derrota do Brasil, afirmei categoricamente que não iria mais escrever sobre futebol. Talvez, meus amigos, tenha sido ainda algum resquício de decepção perante a derrota de nossa amada seleção… Mas, aí, vocês me diriam: “Você está se contradizendo, caro autor, você mesmo anunciou, com tanta altivez, que os jogos de futebol, em particular, e os esportes coletivos, em geral, não significam nada ou pouco significam para a nossa vida cotidiana (ver aqui e aqui). Você é incoerente. Está reclamando da derrota do Brasil, mas, ao mesmo tempo, posa como um indiferente, um blasé, um elitista, um outsider, um lobo da estepe. Mas não é nada disso. É só um bufão, um bobo da corte, um palhaço, um espantalho”.
domingo, 4 de julho de 2010
Derrota do Brasil
O Brasil perdeu, óbvio. Estamos fora da Copa. Muitos ainda sentem o amargo sabor da derrota. Muitos ainda se ressentem da derrota. Muitos ainda vivem na ilusão de que somos os melhores do mundo.
Bem, não foi dessa vez! Dessa vez, foi outro vexame, com direito a expulsão e tudo. Mas tudo bem. Dar vexame também faz parte. O negócio do futebol não vai parar, e o Brasil ainda é o número um no ranking da Fifa.
No entanto, teço alguns comentários satíricos. Mas não esperem nada de mim. Não gosto muito de futebol.
Bem, não foi dessa vez! Dessa vez, foi outro vexame, com direito a expulsão e tudo. Mas tudo bem. Dar vexame também faz parte. O negócio do futebol não vai parar, e o Brasil ainda é o número um no ranking da Fifa.
No entanto, teço alguns comentários satíricos. Mas não esperem nada de mim. Não gosto muito de futebol.
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
Copa do Mundo: Grandes e Pequenas Ilusões
(Atenção! Se você procura um post em que se esculache a seleção brasileira e o técnico Dunga, vá procurar em outro lugar. Não os defendo e nem os acuso. Este post foi escrito antes da derrota brasileira e possui um intuito, digamos, “filosófico”)
Há pouco tempo, escrevi um post sobre a Copa do Mundo, intitulado A Copa do Mundo ou a Grande Preparação, no qual eu, em breves linhas, defendia que a copa do mundo de futebol ou, se você for um leitor norte-americano, de soccer ou qualquer outro grande evento esportivo serve para um escape de nossas tendências bélicas e, ao mesmo tempo, para uma preparação para guerra. Se quiser ler essa pérola, vá lá, leitor.
Só o cito demoradamente, porque, em determinado momento do post, eu, em minha auto-ilusão, afirmei que ganhar ou perder a copa do mundo pouco ou quase nada significaria em nossa mínima vida cotidiana. Em meu argumento, ganhar a copa significa muito para os jogadores, a comissão técnica e seus patrocinadores. Mas um amigo, que não gosta muito de internet e que leu meu texto depois de muita insistência minha, comentou essa passagem do seguinte modo:
"Não interessa se a vitória ou a derrota realmente significa pouco para nós, torcedores. Significa muito, pois acreditamos que significa muito. É uma ilusão, mas as ilusões são reais para quem acredita nelas."
Há pouco tempo, escrevi um post sobre a Copa do Mundo, intitulado A Copa do Mundo ou a Grande Preparação, no qual eu, em breves linhas, defendia que a copa do mundo de futebol ou, se você for um leitor norte-americano, de soccer ou qualquer outro grande evento esportivo serve para um escape de nossas tendências bélicas e, ao mesmo tempo, para uma preparação para guerra. Se quiser ler essa pérola, vá lá, leitor.
Só o cito demoradamente, porque, em determinado momento do post, eu, em minha auto-ilusão, afirmei que ganhar ou perder a copa do mundo pouco ou quase nada significaria em nossa mínima vida cotidiana. Em meu argumento, ganhar a copa significa muito para os jogadores, a comissão técnica e seus patrocinadores. Mas um amigo, que não gosta muito de internet e que leu meu texto depois de muita insistência minha, comentou essa passagem do seguinte modo:
"Não interessa se a vitória ou a derrota realmente significa pouco para nós, torcedores. Significa muito, pois acreditamos que significa muito. É uma ilusão, mas as ilusões são reais para quem acredita nelas."
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Eleições: O Festival da Democracia ou Quando a Cara de Pau é Pouca...
Sabemos, desde os primórdios da democracia moderna, que esse negócio de eleições iria nos perseguir o resto de nossa precária existência. A cada dois anos, uma nova campanha. A cada dois anos, o mesmo martírio, as mesmas cenas, as mesmas mentiras. A cada dois anos, caras velhas e novas, joviais e arrogantes, ou humildes e tristes. A cada dois anos, nós temos o espetáculo da democracia, a incrível peça de teatro do estado de direito.
Para uns, é uma comédia. Para outros ou para a maioria, uma tremenda tragédia.
Mas por que estou reclamando das eleições? Não são elas a Festa da Democracia? Não são elas o coroamento de nosso sistema político? Não são a melhor maneira de se governar no mundo?
Para uns, é uma comédia. Para outros ou para a maioria, uma tremenda tragédia.
Mas por que estou reclamando das eleições? Não são elas a Festa da Democracia? Não são elas o coroamento de nosso sistema político? Não são a melhor maneira de se governar no mundo?
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segunda-feira, 28 de junho de 2010
Comentário sobre Posts de Futebol
Meus queridos,
Posso afirmar que há temas e temas.
Dos temas deste blog, pouco ou quase nada há sobre esporte, senão uma irreverente e desproporcional tentativa de consideração filosófica. (O que muito pode dizer de minhas afenidades eletivas!)
Claro que quem cliqua no link ou faz uma busca no google (quem aí ainda usa o yahoo ou começou a usar o bing?), procurando na internet sobre sátiras de futebol ou copa do mundo, nada quer saber de coisas filosóficas!
Posso afirmar que há temas e temas.
Dos temas deste blog, pouco ou quase nada há sobre esporte, senão uma irreverente e desproporcional tentativa de consideração filosófica. (O que muito pode dizer de minhas afenidades eletivas!)
Claro que quem cliqua no link ou faz uma busca no google (quem aí ainda usa o yahoo ou começou a usar o bing?), procurando na internet sobre sátiras de futebol ou copa do mundo, nada quer saber de coisas filosóficas!
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segunda-feira, 21 de junho de 2010
A Justiça é boa... para os pobres criminosos
Vivemos em um Estado Democrático de Direito e, sob a égide da justiça, sob o seu escudo protetor, deveríamos viver a nossa minúscula vida de cada dia. Deveríamos ter a consciência de nossos direitos e deveres, deveríamos respeitar as leis, deveríamos viver em harmonia e paz com os nossos semelhantes (e, com isso, não haveria necessidade das leis e de legisladores), deveríamos viver nossa minúscula vida de cada dia sem estresse e sem temor. Sem o medo constante de ser esmagado por outro ser humano. Mas, ai de nós!, a nossa pobre condição humana está cercada de perigos e monstros por todos os lados, sendo o maior monstro o próprio homem (e mulher também, preste atenção!, não sou machista!). Sim, eu sei que há perigos que não são humanos, como terremotos, maremotos, raios, aquecimento global (espera, mas esse não fomos nós que criamos?...) e a fúria dos deuses. Contra esses males, pouco ou nada podemos. Mas o mais insidioso mal, aquele que merece o nome de mal, é o mal do próprio ser humano. E, contra esse mal, o homem sempre se dirigiu à Justiça.
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
Post curto sobre posts longos
Há uma lei ou uma norma ou um costume (sei lá em qual categoria que se inclui o que aqui vou dizer) que afirma ser de bom tom posts curtos no mundo da internet.
A razão é simples: com milhões de sites no mundo virtual, trilhões de posts, conteúdo que conseguiria encher duas bocas de Pantagruel (conteúdo não no sentido qualitativo, mas só quantitativo...), o melhor é escrever posts curtos para os mimados leitores da internet.
Leitores? Bem, há controvérsias.
A razão é simples: com milhões de sites no mundo virtual, trilhões de posts, conteúdo que conseguiria encher duas bocas de Pantagruel (conteúdo não no sentido qualitativo, mas só quantitativo...), o melhor é escrever posts curtos para os mimados leitores da internet.
Leitores? Bem, há controvérsias.
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